7 conceitos de quem defende a liberdade

Os conceitos chave de quem defende a liberdade se desenvolveram ao longo de vários séculos. Os primeiros pequenos sinais deles surgiram na China, Grécia e Israel antigos; eles começaram a ser desenvolvidos em algo semelhante à filosofia libertária moderna nas obras de pensadores dos séculos XVII e XVIII, como John Locke, David Hume, Adam Smith, Thomas Jefferson, Thomas Paine, e os mais recentes Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Murray Rothbard.

Confira 7 conceitos selecionados para entender melhor a respeito.

1. Individualismo

Os libertários encaram o indivíduo como a unidade básica de análise social. Somente indivíduos fazem escolhas e são responsáveis por suas ações. O pensamento libertário enfatiza a dignidade de cada indivíduo, o que acarreta tanto direitos quanto responsabilidades. A progressiva extensão da dignidade a mais pessoas — a mulheres, a pessoas de outras crenças e raças — é um dos grandes triunfos libertários no mundo ocidental.

2. Direitos individuais

Por serem agentes morais, os indivíduos têm um direito a estar seguros em sua vida, liberdade e propriedade. Esses direitos não são garantidos pelo governo ou pela sociedade; são inerentes à natureza dos seres humanos. É intuitivamente correto que os indivíduos gozem da segurança de tais direitos; o ônus da explicação deve ser daqueles que os restringem.

3. Ordem espontânea

Um alto grau de ordem na sociedade é necessário para que os indivíduos sobrevivam e prosperem. É fácil presumir que a ordem precisa ser imposta por uma autoridade central, da forma como se impõe ordem a uma coleção de selos ou a um time de futebol.

Como bem defendeu o filósofo político Friedrich Hayek, a grande ideia da análise social libertária é que a ordem na sociedade surge espontaneamente, a partir das ações de milhares ou milhões de indivíduos que coordenam suas ações com as de outros de maneira a atingir seus propósitos. Por meio da história, vimos optando gradualmente por mais liberdade e ainda assim conseguimos desenvolver uma sociedade complexa e intrincadamente organizada.

As mais importantes instituições da sociedade humana — a língua, a lei, o dinheiro, e os mercados — todos se formaram espontaneamente, sem direcionamento central. A sociedade civil — a complexa rede de associações e conexões entre as pessoas — é outro exemplo de ordem espontânea; as associações feitas dentro da sociedade civil se formam para um propósito, mas a sociedade civil em si não é uma organização e não tem propósito próprio.

4. Mercados livres

Para sobreviver e prosperar, os indivíduos precisam praticar atividades econômicas. O direito à propriedade acarreta o direito de trocar propriedades por acordo mútuo. Os mercados livres são o sistema econômico dos indivíduos livres, e são necessários para criar riqueza. Os libertários acreditam que as pessoas serão mais livres e mais prósperas se a intervenção do governo nas escolhas econômicas das pessoas for minimizada.

5. A virtude da produção

Muito do ímpeto pela liberdade no século XVII foi uma reação contra monarcas e aristocratas que viviam do trabalho produtivo de outras pessoas. Os libertários defenderam o direito das pessoas de manter os frutos de seu trabalho. Esse esforço desabrochou como respeito pela dignidade do trabalho e da produção, e especialmente pela classe média em expansão, que era desprezada pelos aristocratas.

Os libertários desenvolveram uma análise de classe pré-marxista que dividia a sociedade em duas classes básicas: aqueles que produziam riqueza, e aqueles que a tomavam dos outros pela força.

Thomas Paine, por exemplo, escreveu: “Há duas classes distintas de homens nas nações: aqueles que pagam tributos, e aqueles que os recebem e vivem deles.” Do mesmo modo, Jefferson escreveu em 1824: “Temos mais maquinário de governo do que é necessário, parasitas demais vivendo do trabalho dos industriosos.” Os libertários modernos defendem o direito das pessoas produtivas de preservar o que ganham com sua produção, protegendo-se de uma nova classe de políticos e burocratas que querem tomar seus ganhos e transferi-los para quem não produz.

6. Harmonia natural de interesses

Os libertários acreditam que há uma harmonia natural de interesses entre pessoas produtivas e pacíficas em uma sociedade justa. Os planos individuais de uma pessoa — que podem envolver conseguir um emprego, começar um negócio, comprar uma casa, e assim por diante — podem conflitar com os planos de outros, de forma que o mercado faz com que muitos de nós mudemos nossos planos. Mas todos prosperamos com o funcionamento do mercado livre, e não há nenhum conflito necessário entre fazendeiros e mercadores, manufatureiros e importadores. Somente quando o governo começa a distribuir recompensas com base em pressões políticas nos vemos envolvidos em conflitos coletivos, obrigados a nos articular e competir com outros grupos por uma fatia do poder político.

7. Paz

Quem defende a liberdade atua contra o antigo flagelo da guerra. Libertários compreendem que a guerra traz morte e destruição em grande escala, perturba a vida social e econômica, e coloca mais poder nas mãos da classe dominante — o que pode explicar por que os líderes nem sempre compartilham o sentimento pacifista do povo. Homens e mulheres livres, evidentemente, em muitas ocasiões já tiveram que defender suas sociedades de uma ameaça estrangeira; mas, ao longo da história, a guerra em geral foi um inimigo comum das pessoas produtivas e pacíficas em ambos os lados do conflito.

David Boaz é o vice-presidente executivo do Cato Institute e autor do livro O Manifesto Libertário.

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Desde 2015 o Ideias Radicais busca difundir o libertarianismo e ajudar a construir uma sociedade livre.

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