Como motivar membros do seu grupo de estudos

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Como motivar membros do seu grupo de estudos

Por Renato Diniz*

Ninguém acorda num sábado pela manhã para organizar um evento por Mises. Sem dúvidas, os ideais libertários são um fator de estímulo, mas muitas vezes não são suficientes para promover nosso engajamento por períodos prolongados.

Cada um de nós possui diferentes razões para participar de um grupo e voluntários podem tomar as mesmas ações por razões bastante diferentes. Clary e colegas (1992) identificam seis principais motivações que são requeridas pelos voluntários: valores, compreensão, carreira, social, auto-estima e proteção. Elas não surgem simultaneamente, com voluntários comumente apresentando uma ou duas condições.

Aqui está um resumo sobre cada uma delas:

Valores: Participar de um grupo serve como veículo para a expressão de valores pessoais. Ao realizar alguma ação, o indivíduo tem satisfação ao saber que seu serviço promove alguma mudança na realidade.

Compreensão: A participação no grupo satisfaz o desejo da pessoa de aprender mais sobre o libertarianismo. Estar num ambiente com pessoas que podem indicar conteúdo e discutir ideias serve como estímulo para permanecer ativo e buscar mais compreensão sobre a causa.

Carreira: É satisfeita quando as pessoas se voluntariam para aprender habilidades específicas ou sobre uma organização. Elas acreditam que isso as ajudará a explorar oportunidades de emprego, desenvolver habilidades e/ou as ajudará a fazer networking (uma rede de contatos).

Social: A participação em movimentos voluntários é um reflexo da influência normativa dos amigos, da família ou de um grupo social que eles valorizam. Eles buscam engajamento no grupo porque lhe fornecem acesso a um grupo social desejado, muitas vezes exclusivo.

Auto-estima: Com o propósito específico de fazer com que alguém se sinta melhor consigo mesmo, o grupo desempenha essa função quando estimula a valorização do indivíduo, fazendo com que ele se sinta necessário e importante. A pessoa já se sente bem consigo mesma, mas se voluntaria com o propósito de se sentir ainda melhor ou de melhorar sua imagem socialmente.

Proteção: Em contraste com a motivação pela auto-estima, o indivíduo usa o grupo para diminuir sentimentos desagradáveis. O voluntariado proporciona alívio e evita sentimentos negativos sobre si mesmo, cumprindo uma função protetora. Serve, por exemplo, aquele indivíduo que possui um mal relacionamento familiar e busca abrigo em outros ambientes onde possa se sentir útil.

Assim como há voluntários que são motivados primariamente por um único fator ( como o de valores, sendo os ideais libertários suficientes para promover seu engajamento), há também aqueles que encontram no grupo um ambiente em que podem atender mais de uma necessidade (como voluntários que encontram no grupo um ambiente de novas amizades e uma forma de enriquecer o currículo profissional).

Como utilizar essas motivações para estimular o engajamento?

Compreender quais motivações estão por trás de cada membro vai auxiliá-lo a montar estratégias eficazes para promover seu engajamento, e há mais algumas dicas de fácil aplicação que vamos lhe ensinar:

  1. Comunicar continuamente a missão, a visão e os valores da organização distingue facilmente as entidades cujos voluntários permanecem leais e motivados por aqueles que são continuamente frustrados pela falta de engajamento voluntário (Grace, 2009). Quando as lideranças comunicam claramente o que acreditam (valores), como a cidade ou universidade seria afetado caso esse objetivo fosse alcançado (visão) e qual o caminho que será percorrido para isso (missão), a motivação de valores é continuamente ativada e voluntários praticarão muito mais esforço.
  2. Gerar oportunidades em que voluntários podem desenvolver conhecimento da causa como grupos de leitura e discussão internos estimula o engajamento direto daqueles integrantes que buscam maior  conhecimento da causa. Inclusive, esta é a ferramenta mais amplamente conhecida e utilizada por grupos libertários brasileiros.
  3. Fornecer contato direto com palestrantes e estimular que membros apresentem seus projetos pessoais em eventos estimula o desenvolvimento profissional individual. Além disso, pode abrir oportunidades antes desconhecidas, como parcerias e emprego. Isso produz um maior engajamento àqueles em busca de alavancar suas carreiras.
  4. O objetivo de um grupo de estudantes não deve ser somente cumprir sua missão, mas estimular ambientes confortáveis que gozem de boa convivência entre seus membros. Realizar um encontro num bar ou promover uma festa por vezes é tão eficiente quanto a realização de um evento de sucesso para produzir o engajamento dos membros.
  5. Reconhecer os esforços de cada membro é vital, e não deveria ser encarado como um obstáculo. Dixon e Hientz (2013) apontam que mais de 80% das organizações voluntárias indicam que a barreira mais comum que encontram para promover o reconhecimento dos membros é a falta de recursos. No entanto, 8 em cada 10 voluntários gostariam de ser reconhecidos apenas entendendo o impacto de suas contribuições. Notavelmente, a realização de uma festa formal ou uma compensação é uma das formas menos preferidas pelos próprios voluntários.
  6. Um erro frequente é não cobrar resultados dos voluntários sob a crença de que isso os afastará de suas atividades. Se o voluntário percebe que sobre ele existe poucas expectativas, ele também irá sentir que sua atividade nem o grupo ao qual pertencem é tão especial assim.
  7. Voluntários em geral desejam alguém para direcionar suas atividades (Lynch, 2011). Os que não sabem exatamente o que devem fazer ou o que lhes é esperado acabam entrando num estado de confusão, impotência e inércia. Eles necessitam ter suas área de atuação bem definidas, recebendo inclusive metas e supervisão regular.
  8. Moon e Sprout (2008) evidenciam que os grupos que implementam sistemas de feedback (comparados com aqueles que não o fazem) fazem voluntários permanecem por maiores períodos. Além disso, eles são mais eficazes em suas funções e resolvem conflitos com maior agilidade.

Independentemente do método escolhido, os grupos que encontrarem formas de atender a estes desejos e motivações dos voluntários serão aqueles que terão mais sucesso em manter o engajamento por longos períodos de tempo.

*Renato Diniz é Diretor de treinos e desenvolvimento no Lideranças Radicais

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Por | 2019-12-20T15:33:00-03:00 18/11/2019|Comunidade Libertária|Comentários desativados em Como motivar membros do seu grupo de estudos