Como motivar os membros do seu grupo de estudos

Ninguém acorda em pleno sábado de manhã para organizar um evento “por Mises“. Sem dúvidas, os ideais libertários são um fator de estímulo, mas, muitas vezes, não são suficientes para promover engajamento por períodos prolongados. Logo, é importante conhecer estratégias para motivar o seu grupo de estudos diariamente.

De acordo com Gil Clari, cada pessoa possui diferentes razões para participar de um grupo e, voluntários podem tomar as mesmas ações por motivos bastante diferentes.

Inclusive, já foram listadas ao menos seis motivações, que são mais requeridas por voluntários: valores, compreensão, carreira, social, auto-estima e proteção. Todavia, estas não surgem simultaneamente, com integrantes comumente apresentando uma ou duas condições.

Portanto, é importante saber identificar cada uma delas. Nesse sentido, expomos abaixo uma lista com os resumos de suas principais características.

Razões que podem motivar a participação em um grupo

Valores: Participar de um grupo serve como veículo para a expressão de valores pessoais. Ao realizar alguma ação, o indivíduo tem satisfação ao saber que seu serviço promove alguma mudança na realidade.

Compreensão: A participação no grupo satisfaz o desejo da pessoa de aprender mais sobre o libertarianismo. Estar em um ambiente com pessoas que podem indicar conteúdo e discutir ideias serve como estímulo para permanecer ativo e buscar mais compreensão sobre o movimento.

Carreira: É satisfeita quando as pessoas se voluntariam para aprender habilidades específicas ou sobre uma organização. Elas acreditam que isso as ajudará a explorar oportunidades de emprego e/ou as ajudará a fazer networking (uma rede de contatos).

Social: A participação em movimentos voluntários é um reflexo da influência normativa dos amigos, da família ou de um grupo social que valorizam. Eles buscam engajamento no grupo, porque este lhe fornece acesso a um grupo social desejado, muitas vezes, exclusivo.

Auto-estima: Com o propósito específico de fazer com que alguém se sinta melhor consigo mesmo, o grupo desempenha essa função quando estimula a valorização do indivíduo, fazendo com que ele se sinta necessário e importante. A pessoa já se sente bem consigo mesma, mas se voluntaria com o propósito de se sentir ainda melhor ou de melhorar sua imagem socialmente.

Proteção: Em contraste com a motivação pela auto-estima, o indivíduo usa o grupo para diminuir sentimentos desagradáveis. O voluntariado proporciona alívio e evita sentimentos negativos sobre si mesmo, cumprindo uma função protetora. Serve, por exemplo, àquele indivíduo que possui um mal relacionamento familiar e busca abrigo em outros ambientes onde possa se sentir útil.

Como utilizar essas motivações para gerar engajamento

Assim como há voluntários que são motivados primariamente por um único fator, há também aqueles que encontram no grupo um ambiente em que podem atender mais de uma necessidade. Por exemplo, a construção de amizades pode motivar integrantes de um grupo e também serve como uma forma de enriquecer o currículo profissional.

Compreender quais motivações estão por trás de cada membro vai auxiliá-lo a montar estratégias eficazes para promover seu engajamento, e há mais algumas dicas de fácil aplicação que vamos lhe ensinar neste artigo.

Comunicação

Segundo a pesquisadora Kay Grace, comunicar continuamente a missão, a visão e os valores do grupo faz com que este se destaque entre os demais, pela lealdade e motivação de seus voluntários.

Quando as lideranças comunicam claramente o que acreditam (valores), como a cidade ou universidade seria afetado caso esse objetivo fosse alcançado (visão) e qual o caminho que será percorrido para isso (missão), a motivação é ativada e a participação acontece com muito mais empenho.

Oportunidades

Gerar oportunidades nas quais voluntários possam desenvolver conhecimento sobre o movimento, como grupos de leitura e debate internos, estimula o engajamento, principalmente, entre os mais estudiosos. Inclusive, esta é a ferramenta mais famosa e utilizada por grupos libertários brasileiros.

Networking

Fornecer contato direto com palestrantes e estimular que membros apresentem seus projetos pessoais em eventos estimula o desenvolvimento profissional individual. Além disso, pode abrir oportunidades antes desconhecidas, como parcerias e emprego. Isso produz um maior engajamento àqueles que estão tentando alavancar suas carreiras.

Descontração

O objetivo de um grupo de estudantes não deve ser somente cumprir sua missão, mas estimular ambientes confortáveis e de boa convivência entre seus membros. Portanto, realizar um encontro em um bar ou promover uma festa, por vezes, é tão eficiente quanto a realização de um evento de sucesso para produzir o engajamento dos integrantes.

Reconhecimento

Reconhecer os esforços de cada membro é vital, e não deveria ser encarado como um obstáculo. Em 2013, Dixon e Hientz apontaram que mais de 80% das organizações voluntárias tinham a falta de recursos como barreira mais comum à promoção de reconhecimento entre seus membros.

No entanto, 8 em cada 10 voluntários gostariam de ser reconhecidos apenas para entender o impacto de suas contribuições. Notavelmente, a realização de uma festa formal ou uma compensação são duas das formas menos desejadas.

Metas

Um erro frequente é não cobrar resultados dos voluntários sob a crença de que isso os afastará de suas atividades. Se o voluntário tem a percepção de que sobre ele existem poucas expectativas, ele também sentirá que nem sua atividade nem o grupo ao qual pertence é tão especial assim.

Considerações finais

Segundo Lynch, voluntários em geral desejam alguém para direcionar suas atividades. Afinal, os que não sabem exatamente o que devem fazer ou quais são as expectativas acabam entrando em um estado de confusão, impotência e inércia. Assim, eles necessitam de áreas de atuação bem definidas, recebendo, inclusive, metas e supervisão regular.

Em 2008, Moon e Sprout evidenciaram que, grupos nos quais havia sistema de feedback conseguiram a permanência de seus voluntários por maiores períodos, em relação aos que não aderiram a este sistema. Além disso, eles são mais eficazes em suas funções e resolvem conflitos com maior agilidade.

Independentemente do método escolhido, aqueles que encontrarem formas de atender a estes desejos e motivar os voluntários do grupo serão os mais bem-sucedidos, no que tange à manutenção do engajamento a longo prazo.

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Renato Diniz

Por:

Analista de Lideranças no Ideias Radicais.

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