Como convencer os outros de que a liberdade é boa

Não é incomum que ativistas das ideias da liberdade reclamem da impopularidade das ideias junto às massas. Eles afirmam que a defesa da liberdade é muito difícil. Afinal, se ideologias estatizantes prometem o paraíso, aos liberais e libertários resta o desagradável papel de mensageiro da realidade.

Convenhamos, é um contraste difícil de aceitar.

Ser liberal no século XIX significava estar na cômoda posição de portador da esperança, do progresso e de uma sociedade humanista.

Foi a economia de mercado a responsável pelo salto de prosperidade dos últimos 250 anos. Foram os liberais que defenderam o fim da escravidão, da sujeição das mulheres e do absolutismo do antigo regime.

Do outro lado, socialistas são obrigados a defender a coerção, guerras, e milhões de mortes. Sua história está marcada por campos de trabalho forçado, paredões e desrespeito aos direitos humanos.

Mas se o liberalismo é tão bom, por que é tão mal vendido?

Infelizmente, dia após dia, liberais defendem o mercado, mas não sabem utilizá-lo.

O filósofo político Friedrich Hayek nos ensinou há décadas como o conhecimento está disperso na sociedade. Um produto pode ser bom, bonito e barato – e ainda assim um fracasso. Sem uma comunicação correta, ninguém saberá das suas qualidades.

A grande verdade é que, no mercado de ideias, o liberal é o pior vendedor possível: não liga para os problemas do seu cliente, nem sempre propõe soluções de forma adequada, e muitas vezes evidencia os piores aspectos do seu produto, atacando, inclusive, quem deveria ser seu público-alvo.

Duvida? Veja o exemplo abaixo.

Como os liberais vendem errado suas ideias – um caso clássico

Você já deve ter passado por isso. Roda de amigos, alguém puxa o assunto: cotas em universidades.

Sistema de cotas de universidades brasileiras é eficiente, conclui estudo  dos EUA - Revista Galileu | Sociedade

Qual a reação padrão de muitos liberais? A pior possível!

Os argumentos utilizados são variações de:

  • É uma política injusta com as pessoas mais ricas da sociedade;
  • Meritocracia;
  • Irresponsabilidade dos pais dos cotistas por não promoverem uma cultura educacional melhor aos seus filhos;
  • O desempenho acadêmico das universidades será prejudicado.

Nenhum destes argumentos está totalmente errado. Não é o meu ponto discutir sua validade, mas a eficácia dessa argumentação em um debate. A bateria de enunciados acima faz tanto sentido para o defensor de cotas quanto receber um pneu após pedir um temaki em um restaurante japonês.

Receita de Temaki de salmão e cebolinha - Comida e Receitas

Alguns podem até aceitar e sair com o objeto debaixo do braço, mas, convenhamos, não é a melhor estratégia.

O básico para você vender bem a liberdade

Suba um pouco a página e leia os argumentos novamente.

Voltou? Bem, reparou que nenhum deles nem sequer toca no principal problema do cotista, que é entrar em uma universidade? De fato, a verdadeira solução liberal não é apresentada. O que é dito é uma grande defesa de “deixar as coisas como estão”.

É como se você chegasse no Burger King, contasse como está faminto e o atendente respondesse: “bem, você deveria ter comido antes. Eu não vou lhe servir”. Liberais fazem isso com frequência, e ainda reclamam da popularidade da concorrência.

Negros, homossexuais, proletários, empreendedores, ativistas ou qualquer outro grupo social com problemas bateram na porta dos liberais ansiosos por nossas soluções, mas receberam um sonoro “Não!” como resposta, como no caso acima.

Para nossa felicidade, isso ainda pode mudar. Não existe mágica, mas uma venda eficiente geralmente conta com:

  1. Contexto;
  2. Identificação do problema;
  3. Aplicação prática das ideias da liberdade;
  4. Aplicação abstrata das ideias da liberdade.

Vamos novamente ao caso das cotas.

Qual o problema apresentado pelos defensores de cotas? Às chances de um determinado grupo social ter acesso a universidade são muito menores do que a média.

O que fazer então?

Em vez de perder tempo com uma agenda reativa e negativa, venda a liberdade:

  • No curto prazo: vouchers podem no curto prazo melhorar a situação.
  • No longo: a liberalização do mercado educacional permitirá que qualquer um possa ingressar em uma universidade e diminuirá o poder de políticos.

Uma abordagem positiva, que envolva resolver o problema das pessoas, sempre será superior aquelas que envolvem a propagação de ódio e reatividade.

Até no campo das esquerdas isso é verdade. O socialismo PSOLista é enxergado como emancipador, enquanto o socialismo do PCO é vendido como um convite à guerra, a despeito de ambos serem horríveis.

Liberais falam muito em copiar os modelos econômicos que dão certo em outros países, então já passou da hora de também copiarmos o que dá certo para propagar nossas ideias.

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Ivanildo Terceiro

Por:

Diretor de Comunicação do Students for Liberty Brasil.

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