Como a tecnologia facilita o distanciamento social

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Como a tecnologia facilita o distanciamento social

Há pouco tempo, muitas pessoas reclamavam que a dependência tecnológica era uma epidemia. Mas agora que a humanidade se encontra no meio de uma pandemia real, as telas de celulares, tablets e smarthphones estão provando ser um benefício para a espécie

O progresso na tecnologia digital talvez nunca tenha sido mais evidente do que neste momento de amplas medidas de distanciamento social. Sem a tecnologia de hoje, “distanciamento social” significaria o completo isolamento.

Desde trabalho e educação até lazer e socialização, a tecnologia está possibilitando o “distanciamento social” com um sacrifício mínimo comparado ao que seria sem ela.

Em comparação, imagine o que as gerações anteriores teriam que suportar para alcançar o mesmo grau de separação física.

É claro que ficar em frente às telas por períodos prolongados tem suas desvantagens e que a moderação é importante.

Mas o uso da tecnologia para manter as pessoas conectadas e a sociedade funcionando durante essa pandemia está acabando com a narrativa de que a tecnologia ameaça a interação e a felicidade das pessoas.

Surgiram relatos generalizados de jantares virtuais (com cobertura garantida no The Washington Post) e de outros tipos de encontros virtuais.

Tornou-se cada vez mais claro que o distanciamento social deve ser mais apropriadamente chamado de distanciamento físico porque os praticantes ainda podem ser sociais.

À medida que as bares são fechados temporariamente para evitar possíveis transmissões de vírus, coquetéis virtuais e happy hours estão decolando.

Reuniões virtuais, habilitadas por plataformas digitais como Zoom, Google Hangouts, Facebook Live, FaceTime e outros, estão ajudando pessoas ao redor do mundo a se socializarem.

Atividades que normalmente envolvem congregações de pessoas, desde clubes do livro e aulas fitness a serviços religiosos e meditação em grupo, estão acontecendo online.

Opções de entretenimento online

Distanciamento físico também não significa privação cultural. Muitos dos museus do mundo, incluindo o Museu Britânico em Londres, o Museu Guggenheim em Nova York e o Louvre em Paris, oferecem passeios virtuais on-line.

Para aqueles que preferem a presença de um guia turístico, agora é possível fazer um tour virtual guiado ao vivo em alguns museus (como na casa histórica de Thomas Thomas Jefferson, em Monticello), fazendo perguntas ao seu guia e recebendo respostas em tempo real enquanto você visita.

Incapazes de realizar shows ao vivo, músicos como Miley Cyrus, John Legend, Bono e Willie Nelson estão realizando shows virtuais. [N.E. O show promovido pelo cantor Gustavo Lima em sua casa no último sábado (28), por exemplo, bateu diversos recordes de audiência no Youtube e ainda arrecadou doações para ajudar quem mais precisa].

Da mesma forma, os serviços de streaming de teatro estão entrando para oferecer peças de teatro, balés e apresentações online da Broadway.

O Metropolitan Opera House de Nova York agora oferece “Nightly Met Opera Streams” de performances passadas, que devem continuar durante o encerramento induzido pela pandemia da casa de ópera.

E, é claro, os serviços de streaming de filmes podem trazer o cinema para sua casa.

A tecnologia tornou mais fácil do que nunca realizar uma “watch party” fisicamente distanciada mas sincronizada para que espectadores em locais diferentes vejam a mesma parte de um filme ao mesmo tempo.

Para quem gosta de discutir filmes enquanto assistem, a tecnologia também permite um comentário em grupo de cada cena em tempo real.

Parques e zoológicos

Se você sente falta de viajar, saiba que o Google criou uma experiência on-line na qual cinco Parques Nacionais dos Estados Unidos podem ser visitados virtualmente.

Sem sair de casa, os entusiastas da observação de aves podem desfrutar de uma visão ao vivo das aves da floresta tropical do Panamá, graças ao laboratório de ornitologia da Universidade de Cornell.

Outra opção é assistir aos papagaios-do-mar na costa do Maine, cortesia da National Audubon Society, organização sem fins lucrativos.

Da mesma forma, as webcams ao vivo no zoológico podem trazer a diversão de observar as criaturas da natureza, de leões a lontras, na sua sala de estar.

Dia a dia

E quanto às tarefas diárias? Com aplicativos de delivery, fazer compras em casa é mais fácil do que nunca.

E agora que os regulações sobre a produção de álcool em gel diminuíram, talvez ele volte a ser encontrado nas prateleiras em breve.

Para aqueles que preferem experimentar roupas antes de comprar, muitos varejistas agora oferecem um período de teste gratuito para roupas compradas on-line.

A telessaúde está sendo utilizada em uma escala nunca vista antes, permitindo que os pacientes se conectem com profissionais médicos sem sair de casa.

Talvez, em breve, seja possível solicitar um teste Covid-19 on-line, com um profissional médico analisando remotamente seus sintomas.

A internet também pode ajudar com problemas de saúde mais comuns. Por exemplo, agora é possível fazer um exame oftalmológico on-line para atualizar sua prescrição de lentes ou contatos.

E, é claro, as plataformas de aprendizado on-line permitem que os alunos aprendam sem arriscar sua saúde.

Enquanto isso, o trabalho remoto permite que boa parte dos funcionários continuem sendo produtivos enquanto diminuem a propagação da pandemia. Até estágios podem ser realizados remotamente.

Consequências em longo prazo

Algumas mudanças recentes, como maior flexibilidade no local de trabalho em relação ao trabalho remoto e melhor acessibilidade dos serviços de telessaúde podem ser duradouras.

“Este é um ponto de inflexão, e vamos olhar para trás e perceber que é onde tudo mudou”, opinou Jared Spataro, executivo da Microsoft, em uma entrevista coletiva on-line, referindo-se a mais organizações que adotam a abertura ao trabalho remoto em meio a pandemia.

“Nunca mais voltaremos a trabalhar da maneira que fizemos”, ele previu.

Independentemente de ele está certo ou não, é claro que a pandemia levou a humanidade a usar a tecnologia de maneiras novas e inovadoras, e que a tecnologia tornou muito mais suportáveis ​​as severas medidas de distanciamento social.

Chelsea Follett é Editora-Chefe do humanprogress.org e analista de políticas no Cato Institute.

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Por | 2020-05-14T08:27:01-03:00 31/03/2020|Tecnologia|Comentários desativados em Como a tecnologia facilita o distanciamento social