Descubra quais são as 20 cidades mais competitivas do Brasil

De iniciativa do Centro de Liderança Pública (CLP), o Ranking de Competitividade dos Municípios, lançado neste ano de 2020, busca trazer diagnósticos de análises do ambiente de negócios das 400 cidades brasileiras com mais de 800 mil habitantes cada. Juntos, os municípios estudados somam cerca de 60% da população do país, o equivalente a aproximadamente 125 milhões de habitantes. Por esse motivo, selecionamos as 20 cidades mais competitivas do Brasil para entender suas diferenças e características em comum.

O estudo busca ser uma ferramenta que balize as políticas públicas dos governos por meio do incentivo à competição positiva entre os municípios; do mapeamento de fatores de competitividade e do prestígio aos melhores cases; da comparação por regiões, entre outros meios, visando sempre melhores índices.

A questão da competitividade é de suma importância para o desenvolvimento socioeconômico brasileiro, que vem evoluindo muito pouco nesse sentido. Segundo o Ranking do Fórum Econômico Mundial para a competitividade, o Brasil figurava apenas na 71ª colocação em relação aos outros 143 países em 2019, ante o 72º lugar do ano de 2018.

Já no ranking de facilidade em se fazer negócios, estamos na 124º posição, estando ainda mal colocado nos rankings de liberdade econômica da Heritage Foundation e do Fraser Institute.

Um ambiente competitivo eleva o padrão de vida de todos

O estudo parte do princípio difundido por diversas teses econômicas, as quais apontam que a competição saudável — seja entre pessoas ou organizações — naturalmente resulta em maiores incentivos para o aprimoramento de métodos e serviços que garantam melhores resultados nos desafios enfrentados.

Com concorrência, a tendência é que o planejamento e a execução de atividades seja de maior qualidade por parte de todos.

Os países mais competitivos do mundo, como Singapura, Estados Unidos e Hong Kong, de acordo com o Fórum Econômico Mundial. São exemplos de lugares em que a prosperidade foi resultado da potencialização das capacidades de cada agente da sociedade.

A metodologia utilizada no estudo

O ranking foi elaborado a partir de três dimensões: as instituições, a sociedade e a economia. Dentro de cada uma delas, foram detalhados fatores específicos, separados em 12 pilares que, por sua vez, estão esmiuçados em 55 indicadores.

Visando uma melhor representação e entendimento por parte dos leitores, o programa também indica a colocação das cidades em relação às suas diferentes dimensões. Além disso, o estudo fornece a ordem dos municípios de acordo com as regiões em que se encontram.

Os levantamentos foram concluídos a partir de medidas como uma ampla revisão da literatura acadêmica sobre os assuntos em pauta; análises de benchmarks nacionais e internacionais; seleção e verificação de qualidade das informações, discussões técnicas com especialistas, entre outros.

Vale o destaque ao fato de que as análises feitas no estudo não dizem respeito aos períodos marcados pela pandemia da Covid-19, incorporando dados referentes à época anterior ou igual ao ano de 2019.

As notas são dadas entre 0 e 100 para cada categoria, sendo melhor a performance municipal conforme maior for a pontuação obtida.

Os pilares de cada dimensão avaliada

Ao redor das três dimensões que dão foco ao estudo (instituições, sociedade, economia), foram avaliados pilares fundamentais para a compreensão de cada situação.

Dentro da questão das instituições, foi levado em consideração a sustentabilidade fiscal e o funcionamento da máquina pública.

No que tange à sociedade, foram postos seis pilares:

  • acesso à saúde e sua qualidade;
  • acesso à educação e sua qualidade;
  • segurança;
  • saneamento e o meio ambiente.

Por fim, avaliou-se no âmbito da economia a inserção econômica da população, a inovação e o dinamismo econômico, o capital humano e as telecomunicações.

O ranking das cidades mais competitivas do Brasil

Veja as 20 cidades que melhor pontuaram como as mais competitivas do Brasil.

20. Votuporanga (SP)

Cidade do interior do estado de São Paulo, Votuporanga é destaque na dimensão Sociedade, ocupando a 2ª posição da categoria e obtendo a marca de 83,46 pontos neste quesito. O município também apresenta excelência nos pilares de acesso à saúde e de acesso à educação, além de ser exemplo na qualidade de entrega desses serviços.

Entretanto, a cidade amarga a 207ª posição no indicador de Economia, tendo apenas 27,93 pontos quando levados em consideração, principalmente, a inovação e o dinamismo econômico do local. 

19. São José dos Campos (SP)

A cidade se destaca por ter um dos maiores polos tecnológicos do Brasil. Foi eleita pela Endeavor, organização de apoio ao empreendedorismo e a empreendedores, a cidade mais inovadora do país.

Além disso, São José dos Campos também é destaque na facilidade de se empreender. Isso se deve ao parque tecnológico localizado na cidade, que reúne centros de ensino, de pesquisa, startups, empresas de alta tecnologia, entre outros, em um espaço de 188 mil m².

Com esse ambiente propício à competitividade, o município fez regulares 57,99 pontos no ranking total, não tendo números ruins em nenhuma das três dimensões analisadas.

18. Paulínia (SP)

Cidade paulista localizada à 118 Km da capital do estado, Paulínia já teve o maior PIB per capita do Brasil, em 2016 e em 2017. Esse resultado tem base nas grandes empresas instaladas na cidade, dentre elas a maior refinaria de petróleo do país, a Replan.

A cidade apresenta um contraste bem grande entre a avaliação no quesito sociedade e economia, nos quais figura na 5ª e na 8ª colocação, respectivamente, e  a dimensão das instituições. Quando se trata delas, Paulínia aparece em 364º lugar, com apenas 41,16 pontos.

A baixa posição denuncia a necessidade de melhora no funcionamento de sua máquina pública e em sua sustentabilidade fiscal.

17. São Bernardo do Campo (SP)

Também no interior paulista, São Bernardo do Campo é exemplo no indicador “Complexidade Econômica”, do pilar “Economia”. Esse resultado é movido pela alta sofisticação da economia local, baseada na indústria automobilística. A cidade é sede de diversas montadoras, como a Ford, Mercedes-Benz, Volkswagen, dentre outras.

Na ordem de pontuação, estão, portanto, a economia, em primeiro, seguido do quesito sociedade e, por fim, as instituições, somando o total de 58,28 pontos geral.

16. Balneário Camburiú (SC)

A cidade catarinense ocupa a primeira posição na dimensão “Instituições”, devido ao fato de que, em meio ao cenário brasileiro de instabilidade fiscal, Balneário Camboriú é exemplo de sustentabilidade nas contas públicas e na operação da máquina do estado. Também está bem colocada no pilar de “Saneamento e Meio Ambiente”, na 4ª colocação.

Além disso, a cidade também se destaca no pilar “Inserção Econômica”, principalmente no indicador da vulnerabilidade da população, e aparece como a cidade melhor colocada do estado de Santa Catarina no que se refere às suas instituições.

15. São Carlos (SP)

A uma distância de 231 quilômetros da capital paulista, São Carlos é um importante centro regional industrial, abrangendo empresas internacionais como a Volkswagen, a Faber-Castell, a ElectroLux e a LATAM.

O município se destaca no âmbito econômico, quesito em que aparece na 9ª colocação nacional. A cidade, no entanto, peca em relação ao funcionamento da máquina pública e suas instituições, alcançando apenas a 183ª posição, com 56,43 pontos.

14. Santana de Parnaíba (SP)

Com população de pouco mais de 100 mil habitantes, a economia da cidade é baseada no setor de serviços e comércio, sendo a economia o ponto forte da região, ficando na 12ª colocação.

Com uma média de pontuação boa em todos os quesitos, Santana de Parnaíba é mais uma das cidades paulistas bem competitivas em relação ao restante do país.

13. Jundiaí (SP)

Como 7º município mais rico do estado de São Paulo, a cidade de Jundiaí tem como ponto alto a avaliação na dimensão Sociedade: 4º lugar. Em contrapartida, seu ponto fraco no ranking é o quesito Instituições, em que aparece apenas na 170ª colocação.

Polo para empresas de tecnologia e de logística, além de parques industriais que abrigam desde a Parmalat até a Coca-Cola, o município conta com o sétimo maior PIB de São Paulo, sendo o 13º mais competitivo do Brasil.

12. São João da Boa Vista (SP)

Com pontuações boas em todos os quesitos, com destaque a seu bom cuidado com suas instituições, São João da Boa Vista oferece um ambiente próspero a investidores, possuindo benefícios que alavancam a produtividade da região.

A cidade, que conta com cerca de 415 indústrias, pontuou 58,70 no ranking geral do estudo.

11. Belo Horizonte (MG)

Capital de Minas Gerais com mais de 2 milhões de habitantes, Belo Horizonte é o 6º município mais populoso do país e conta com muitos potenciais produtivos.

A cidade é caracterizada pela predominância do setor terciário na economia, é um dos maiores centros financeiros do país e possui uma das sete melhores infraestruturas brasileiras.

BH se destaca economicamente, sendo a 4º cidade mais rica do Brasil, com 58,94 pontos no ranking do CLP.

10. Porto Alegre (RS)

A capital do Rio Grande do Sul é a primeira a entrar no Top 10 de cidades mais competitivas do país.

A cidade aparece como a 4º melhor avaliada no quesito Economia, mas aparece com números ruins na dimensão Sociedade, figurando a 124ª colocação.

Em 2001, Porto Alegre chegou a dispor do melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre as metrópoles brasileiras, e segue na direção correta para seu desenvolvimento competitivo.

9. lndaiatuba (SP)

Cidade do interior de São Paulo, Indaiatuba tem observado seu polo industrial crescer nos últimos anos com a vinda de grandes empresas, como a Toyota Motor, a General Motors e a Honda. Seu potencial energético também colabora para o desenvolvimento da região.

Nos quesitos avaliados, a cidade aparece na 7ª colocação em relação às suas instituições, com 69,42 pontos. Em economia, a posição, que hoje é de 43º lugar, deve melhorar nos próximos anos.

8. Campinas (SP)

O terceiro município mais populoso de São Paulo se destaca por seu polo de pesquisa, que é responsável por pelo menos 15% da produção científica brasileira.

Economicamente, baseia-se na indústria e no comércio, e é hoje a 10ª cidade mais rica do país, com pontuações positivas em todos os quesitos.

7. Santos (SP)

Localizada no litoral do estado de São Paulo, Santos abriga o maior porto da América Latina e tem como principais atividades econômicas o turismo, a pesca, o comércio e as demais atividades portuárias.

Com bons índices em relação às suas instituições e à economia, atingiu, no ranking elaborado, a marca de 60 pontos, faixa em que estão as cidades mais competitivas do Brasil.

6. Vitória (ES)

Com um dos melhores capitais humanos e IDHs do país, a capital do Espírito Santo aparece em 5º lugar na dimensão Economia e em 11º em relação às instituições.

A cidade aparece em destaque entre as mais empreendedoras do país, e é capital de um dos estados com mais liberdade econômica também.

No que tange à Sociedade no ranking de competitividade, no entanto, a cidade aparece apenas em 81º, indicando a possibilidade de melhora.

Por fim, Vitória adquiriu 60,41 na avaliação.

As 5 cidades mais competitivas do Brasil

5. Curitiba (PR)

Capital do estado do Paraná, a cidade conta com uma elevada posição nos índices de educação, a menor taxa de analfabetismo e a melhor qualidade do ensino básico entre capitais do país. Estes fatores influenciam diretamente o desenvolvimento de sua população.

Além disso, Curitiba se destaca pela ótima colocação nas dimensões institucionais, com o bom funcionamento da máquina pública colocando-a na 2ª colocação do quesito avaliado.

Não à toa, a capital curitibana já foi apontada pela Forbes como a terceira cidade mais ‘’sagaz’’ do mundo, com inteligência e desenvolvimento sustentável, prezando pela qualidade de vida e pelo dinamismo econômico.

Ao todo, a cidade fez 60,64 pontos.

4. Florianópolis (SC)

A capital de Santa Catarina, que conta com pouco mais de meio milhão de habitantes, é considerada a de maior IDH do país. A revista NewsWeek já a considerou ‘’uma das dez cidades mais dinâmicas do mundo’’, e a Revista Veja a apontou como “o melhor lugar para se viver no Brasil’’.

No estudo feito pela CLP, Florianópolis se destaca no quesito econômico, onde fica na 1ª colocação. Sua economia é baseada na tecnologia da informação, no turismo e nos serviços, e, em um dos seus atributos mais representativos, a cidade já foi eleita o melhor ambiente para o empreendedorismo no país.

Para fins de aprimoramento, a dimensão institucional tem muito a melhorar: a cidade ficou apenas na 226ª colocação.

3. São Paulo (SP)

Principal centro financeiro e mercantil da América do Sul, a capital paulista conta com a maior população do país e possui o 10º maior PIB do mundo. Além disso, é sede de 63% das multinacionais estabelecidas no Brasil, evidenciando seu caráter competitivo e cosmopolita no mundo. Seu protagonismo em âmbitos nacional e global é inegável.

São Paulo possui índices elevados em diversos quesitos, e se encontra em posição de destaque nas dimensões econômica e institucional: 3ª e 4ª colocações, respectivamente.

Na dimensão social, a cidade tem bastante a melhorar, ficando apenas em 72ª, sendo este o principal ponto de melhora para a sua competitividade.

2. São Caetano do Sul (SP)

Com um dos melhores IDHs do país, São Caetano do Sul também aparece como a cidade com a melhor educação no ranking Connected Smart Cities.

Pertencente à região do ABC Paulista, o segundo colocado no ranking se destaca como o melhor município na dimensão social, e pela excelente colocação na dimensão econômica: sétima cidade.

No entanto, o que atrapalha a situação da cidade é seu desempenho na dimensão institucional, em que aparece apenas na 89ª colocação. A melhoria nesta última dimensão é, sem dúvidas, a principal oportunidade para aprimorar a competitividade do município.

No geral, a cidade aparece com 64,30 pontos.

1. Barueri (SP)

Barueri, a 14ª cidade mais rica do país, vem se desenvolvendo bastante e tende a crescer ainda mais em razão de diversos fatores. Por exemplo, sua proximidade com a capital paulista, suas políticas de baixa tributação, sua evoluída infraestrutura e uma disponibilidade de mão de obra qualificada dão à cidade boas condições de crescimento.

A primeira colocação para a cidade se deve ao seu destaque na dimensão econômica, em que aparece na 2ª colocação, e às suas posições regulares nos quesitos institucionais e sociais, nos quais figura, respectivamente, em 36º e 23º lugar.

O município conta com diversos parques empresariais, como Alphaville e Tamboré, Jardim Califórnia, Jardim Belval, Votupoca e Jardim São Luiz.

O país tem muito a melhorar

A partir de análises como essas, fica mais claro o potencial que tantas cidades no Brasil possuem para se tornarem mais competitivas.

Apesar de alguns bons indicadores, grande parte do país ainda está muito aquém dos padrões internacionais de produtividade e eficiência.

Desse modo, rankings como este se mostram muito úteis para que se cobre da sociedade civil e dos órgãos públicos responsáveis um ambiente cada vez mais simples, desburocratizado e favorável à inovação, ao empreendedorismo e ao desenvolvimento.

Seguindo nessa direção, o país deve avançar em mais índices e usufruir de todo o seu potencial, para benefício de todos.

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Por:

Head de Conteúdo do Ideias Radicais.

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