Quem foi Carl Menger: o fundador da Escola Austríaca

Carl Menger nasceu na Galícia, parte da Áustria-Hungria (atual sul da Polônia), em uma família próspera. Ele tinha dois irmãos: Max, que também era advogado, e Anton, que tornou-se filósofo jurídico e historiador socialista. O filho de Menger, Karl Menger, foi um matemático proeminente que passou a maior parte de sua vida profissional nos Estados Unidos e morreu em 1985.

Vida e estudos

Carl obteve seu doutorado em direito pela Universidade de Cracóvia em 1867. Como resultado da publicação de seus Princípios de Economia em 1871, ele recebeu uma bolsa e, em seguida, uma cátedra na Universidade de Viena, que ocupou até 1903.

Em 1876, ele assumiu o cargo de tutor do príncipe herdeiro Rodolfo da Áustria. Nessa posição, ele viajou por Alemanha, França, Suíça e Inglaterra.

Carl Menger tem a dupla distinção de ser o fundador da economia austríaca e co-fundador da revolução marginalista. Menger trabalhou separadamente de William Jevons e Leon Walras e chegou a conclusões semelhantes por um método diferente. Ao contrário de Jevons, Menger não acreditava que os bens forneciam “utilidades”, ou unidades de utilidade.

Em vez disso, escreveu ele: “os bens são valiosos porque servem a vários usos, cuja importância difere”. Por exemplo, os primeiros baldes de água são usados ​​para satisfazer os usos mais importantes. Já os baldes sucessivos são usados ​​para propósitos cada vez menos importantes.

Menger usou esse raciocínio para resolver o paradoxo da água e do diamante que confundiu Adam Smith. Ele também a usou para refutar a teoria do valor-trabalho. Nesse sentido, ele mostrou que os bens adquirem seu valor não por causa da quantidade de trabalho usado para produzi-los, mas devido à sua capacidade de satisfazer as necessidades das pessoas.

Na verdade, Carl Menger virou de cabeça para baixo a teoria do valor-trabalho. Se o valor dos bens é determinado pela importância das necessidades que eles satisfazem, então o valor do trabalho e outros insumos de produção (ele os chamou de “bens de ordem superior”) derivam de sua capacidade de produzir esses bens.

Atualmente, os economistas convencionais ainda aceitam essa teoria, que eles chamam de teoria da “demanda derivada”.

A Teoria Subjetiva do Valor

Menger criou e usou essa teoria para chegar a uma das ideias mais poderosas da economia: ambos os lados ganham com uma troca voluntária. As pessoas trocarão algo que valorizam menos por algo que valorizam mais.

Como ambos os parceiros comerciais fazem isso, ambos ganham. Essa percepção o levou a ver que os intermediários são altamente produtivos: eles facilitam as transações que beneficiam aqueles de quem compram e a quem vendem. Sem os intermediários, essas transações ou não teriam ocorrido ou teriam sido mais caras.

Embora Adam Smith tenha precedido essa ideia em A Riqueza das Nações (Livro I, Capítulo IV), Menger apresentou uma explicação sobre como o dinheiro se desenvolve que ainda é aceita hoje. Se as pessoas trocam, ressaltou ele, raramente conseguirão o que desejam em uma ou duas transações.

Se eles tiverem abajures e quiserem cadeiras, por exemplo, não serão necessariamente capazes de trocar abajures por cadeiras. Ao invés disso, terão que fazer algumas transações intermediárias.

Isso é um aborrecimento. No entanto, as pessoas percebem que o aborrecimento é muito menor quando trocam o que têm por algum bem amplamente aceito e, em seguida, usam esse bem para comprar o que desejam.

Assim, o bem que é amplamente aceito acaba se transformando em dinheiro.

Considerações finais

Os economistas modernos descrevem essa função do dinheiro como “evitar a necessidade da dupla coincidência de desejos”. Na verdade, a palavra “pecuniário” deriva do latim pecus, que significa “gado” e que, em algumas sociedades, servia como dinheiro.

Outras sociedades, contudo, haviam utilizado cigarros, conhaque, sal, peles ou pedras como dinheiro. À medida que as economias se tornaram mais complexas e ricas, começou-se a usar metais preciosos (ouro, prata e assim por diante) como dinheiro.

Carl Menger estendeu sua análise a outras instituições. Ele argumentou que a linguagem, por exemplo, se desenvolveu pela mesma razão que o dinheiro se desenvolveu — para facilitar as interações entre as pessoas. Ele chamou esses desenvolvimentos de “orgânicos”. Ou seja, nem a linguagem nem o dinheiro foram desenvolvidos pelo governo.

A escola austríaca de pensamento econômico se fundiu inicialmente a partir dos escritos de Menger e dos de dois jovens discípulos, Eugen von Böhm-Bawerk e Friedrich von Wieser.

Mais tarde, os economistas austríacos Ludwig von Mises e Friedrich Hayek usaram as ideias de Carl Menger como ponto de partida; Mises com seu trabalho sobre o dinheiro e Hayek com sua ideia de “ordem espontânea”.

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