O caminho para a liberdade e o movimento libertário

Antes de abordar o assunto, tomemos um momento para refletir e perceber que estamos em ponto diferente do que estávamos há alguns anos em relação ao movimento libertário, no caminho para a liberdade. Dúvidas e problemas sempre existirão, isso é válido para qualquer pessoa, empresa, movimento ou time de futebol.

Devemos nos preocupar em responder essas dúvidas e resolver esses problemas. Porém, devemos nos preocupar ainda mais caso estejamos sempre resolvendo as mesmas coisas. E devemos festejar na mesma proporção quando estamos diante de problemas novos, pois é um indicativo de que estamos avançando.

Por muito tempo, o trabalho feito pelas inúmeras pessoas e organizações que defendem a liberdade no Brasil tinha como enfoque explicar o que é Libertarianismo. Explicar que imposto é roubo, que o estado é uma gangue, que a iniciação de coerção é antiética e não pode ser defendida sem contradições. Assim como, que tudo deveria ser privatizado, desregulado e desburocratizado. Uma batalha que ainda existe e é árdua.

Contudo, agora estamos diante de uma enorme e crescente onda de pessoas que já estão na próxima dúvida, que questiona como podemos construir essa sociedade.

Não existe apenas uma forma

Isso posto, precisamos reconhecer que o caminho da liberdade não é previsível. Não podemos prever a ação humana. É impossível prever, a priori, qual será a estratégia perfeita para convencer a todos de que devemos viver em uma sociedade sem agressão.

Podemos conjecturar, cobrir várias opções, empreender em várias frentes diferentes. Todavia, quem disser que a liberdade deve ser perseguida por uma única iniciativa ou argumento, ordenando a exclusão de todos os outros meios, está iludido. Para dizer o mínimo.

No fim das contas, temos tantas formas diferentes de convencer as pessoas a viver de uma maneira não-agressiva quanto há indivíduos nesse mundo. Portanto, o objetivo desse artigo é estimular ideias, para que vocês trilhem um caminho para a liberdade, desenhando mapas e descobrindo novas rotas.

Em primeiro lugar, tenha um plano e movimente-se constantemente na direção de maior liberdade pessoal. Tente montar uma escala de prioridades, do que é viável para você agora e o que você precisa fazer para que seja viável no futuro.

Note que isso é válido universalmente. Seja você um funcionário público ou alguém que já pratica uma educação sem estado, possui Bitcoin e ainda trabalha em iniciativas libertárias.

Faça planos de curto, médio e longo prazos

Enxergue a liberdade não só como o destino, mas como um processo. Se você trabalhar todos os dias com o objetivo exclusivo de se tornar bilionário, praticamente todos os dias serão derrotas. Afinal, você não terá atingido sua meta.

Contudo, se você trabalhar com a meta de a cada mês ser melhor, mais produtivo e mais realizado do que é hoje, boa parte dos dias se tornarão vitoriosos. Isto é, construa seu caminho em cima dessas pequenas vitórias do dia a dia.

O mesmo vale para a liberdade. A cada dia, mês, ano, busque conquistar maior liberdade para você. Fique nesse caminho por um tempo e muita coisa será alcançada.

Seja um exemplo

Essa outra parte é importante, mas não obrigatória. Vem do fato de que, gostemos ou não, pessoas olham para nós, libertários, como exemplos do que defendemos. Logo, basicamente tudo que fizermos será julgado como “o que os libertários pensam/acham”.

Nesse sentido, sua postura ajudará a sedimentar a percepção que outros terão sobre os libertários. Colocando de outra forma: não seja um babaca. Se o for, muita gente pensará que todos os libertários são babacas, devem acreditar em coisas babacas, e querem uma sociedade cheia de babacas.

Faça uma reflexão simples: quantas pessoas já lhe convenceram a mudar sua vida via agirem de uma forma que você acha idiota e reprovável?

Novamente: você não é obrigado. Você é perfeitamente feliz para brigar com todo mundo, ser completamente deseducado em todas as interações possíveis e defender apenas os pontos mais polêmicos com argumentos preguiçosos. Só vamos concordar que não é razoável esperar que isso tenha um efeito muito grande, ou que o resultado seja positivo.

Começando em casa

Um excelente lugar para começar é com você mesmo. E isso significa mais do que ler 50 livros sobre libertarianismo em dois meses e decorar todos os argumentos. Não que isso faça mal, claro.

Viver em uma sociedade sem agressão começa por você viver não agredindo ou ameaçando agressões contra outras pessoas, respeitando a propriedade privada delas. Mas, como podemos pedir aos outros que façam o que não fazemos?

Uma camada mais profunda disso é remover instituições agressivas da sua vida.

O problema dessa remoção é que ela é muito difícil, não só por motivos financeiros, mas muitas vezes familiares; seus planos futuros, e até uma ansiedade em relação ao futuro e a incerteza da mudança. Isso é compreensível, não se sinta mal.

Obviamente, seria preferível que todas as pessoas fizessem isso imediatamente. Mas, é absurdo demonizar qualquer pessoa que não reorganize toda a sua vida de uma vez só, não importando o prejuízo a curto prazo.

O libertarianismo prega é que não devemos ter um estado e que não precisamos dele para resolver nossos conflitos. Assim, é muito positivo que você se porte como um indivíduo que, de fato, consegue admitir que está errado e conviver não-agressivamente com outras pessoas.

Em contrapartida, uma das piores coisas que você pode fazer é agir de uma forma que leve outras pessoas a pensarem: “Ok, o estado é ruim, mas eu preciso dele para me proteger contra você, porque pelo jeito eu muito provavelmente precisarei”.

Seja uma influência positiva

Outro motivo importante de viver a liberdade é muito mais simples: muita gente não tem uma imaginação muito boa. Culpo as escolas por isso, mas isso é outra discussão. Ao não só defender, mas viver a liberdade de uma maneira cada vez mais intensa, damos para quem nos observa uma espécie de vitrine, uma apresentação tácita do que defendemos.

Um exemplo ótimo disso é o recente debate sobre a legalização da educação domiciliar. Muitos têm na cabeça aquela caricatura bizarra de uma colônia extremamente religiosa, doutrinando os filhos a nunca pensar por conta própria, a temer qualquer ideia e se isolar do mundo.

Essa imagem mental aborta o debate. Ao poder apresentar imagens, vídeos e relatos de famílias que praticam homeschooling, podemos quebrar essa caricatura. E mais: podemos convencer indivíduos antes críticos, céticos e receosos a desejarem ser praticantes de educação domiciliar, talvez até sem a necessidade de argumentos maiores.

É construindo aquilo que desejamos e mostrando ao mundo o que é possível, que tiramos as pessoas sem imaginação e sem motivação da sua inércia. E, nesse processo, nos transformamos em faróis de liberdade. Ou seja, em pessoas de sucesso, felizes e realizadas por intermédio da liberdade.

Expandindo horizontes

A segunda fase desse processo é convencer outras pessoas. Notem que só por que estou chamando isso de “segunda fase”, não significa que a “primeira fase” deve estar concluída. Todas as ideias deste texto podem ser postas em prática ao mesmo tempo.

O que me move a classificá-las numericamente é um pensamento simples: caso eu tenha energia para fazer apenas uma delas, qual deveria fazer? Ora, focar em você mesmo. Colunas fracas não seguram prédios. Além disso, não há sentido algum, para você ou para as outras pessoas que lhe observam, em defender aquilo que você não faz. Em suma, a primeira fase pode ajudar muito na segunda, mesmo que não esteja concluída.

Mas como convencê-las? Bom, antes de tudo, entendendo-as.

Busque compreender as pessoas

É extremamente difícil e altamente improvável resolver um problema que você não compreende. Especialmente, caso se queira resolvê-lo várias vezes seguidas ou com várias pessoas diferentes.

E, além de entender o porquê de as pessoas defenderem o estado é necessário entender que elas o fazem por motivos diferentes. Podemos até agrupar os argumentos delas em certas classes gerais, mas é preciso ser taxativo.

Afinal, tentar convencer os outros de que o libertarianismo é bom afirmando coisas como “todo mundo que defende o estado só quer mandar nos outros”; ou “todos que votam por mais estado são burros” é começar uma corrida com a marcha ré engatada.

Antes de tudo, perceba que uma enorme parte das pessoas que acabam fortalecendo o estado nem sequer sabem o que estão defendendo. Muitos indivíduos não percebem que “o estado” é, na verdade, “os políticos”.

Não compreendem que leis são defendidas por uma massiva agressão estatal, não percebem que não existe o tal do almoço grátis. Milhões de pessoas estão presas no hábito do dia a dia, apenas seguindo a onda que todo mundo segue.

Isso sem falar que a enorme maior parte das pessoas não faz ideia de que o estado é, por definição, incapaz de alocar recursos racionalmente. Mas que, a educação e a saúde públicas não funcionam porque temos “muita corrupção”, por exemplo.

Há várias nuances no debate político-filosófico

Só porque um indivíduo defende uma ou outra coisa do estado, não significa que ele defenda tudo que o estado faz. Quem quer que o estado acabe com a pobreza não necessariamente apoia bancos centrais, guerras infinitas, a estatização da infraestrutura ou o comunismo. Na maior parte dos casos, essas pessoas apenas querem que a pobreza acabe, e acham que o estado é capaz de fazer isso.

Então, quando alguém disser que quer taxação sobre os ricos para dar para os pobres, talvez não seja uma boa ideia discursar sobre qual a diferença entre Monero e Bitcoin e como elas são a solução para o ciclo econômico. Na prática, será muito melhor explicar para ela como o livre mercado acaba com a pobreza e como taxar os mais ricos não funciona.

Isso não é comprometer princípios, diluir a mensagem ou qualquer outro deslize. É apenas buscar uma maneira efetiva de se comunicar com as outras pessoas.

Ouça antes de responder

Muitos libertários saem por aí armados com dois ou três argumentos que eles adoram, e tentam enfiar isso em qualquer discussão. Ok, e o que você faz se a outra pessoa simplesmente não se importa com os assuntos que você quer discutir?

O estatismo não é um credo definido, unificado e claramente descrito. Ele é uma junção de milhões de pessoas com ideias diferentes, tentando usar o estado para alguma coisa. O estatismo não é uma posição demarcada no mapa, é um amplo oceano de desejos, emoções, preconceitos e costumes.

E, em quase todos os casos, esse oceano nem sequer faz sentido interno. Pessoas acreditam em coisas extremamente contraditórias e incoerentes, e defendem ideias sem conseguir demonstrar o porquê as defendem.

Resulta que antes de qualquer tentativa de mover um indivíduo, precisamos entender onde raios ele está nesse enorme oceano. Precisamos escutá-lo antes de querer influenciá-lo.

Precisamos entender qual é o assunto com o qual aquela pessoa em específico se importa; entender quais são as preconcepções que ela possui sobre o livre mercado e que provavelmente estarão equivocadas.

Isso exige um ouvido atento, exige empatia, exige a capacidade de se colocar no lugar da outra pessoa. Isto é, entender em que língua ela fala, que tipo de argumentos podem funcionar e, só então, tentar nos aproximar por essa rota definida.

Pode parecer estranho ouvir isso logo de alguém que publica vídeos no YouTube, uma forma notoriamente unidirecional de comunicação. Mas é exatamente esse o método que uso ao fazer vídeos.

Como eu produzo meus vídeos para o YouTube

A maior parte dos temas que seleciono são dúvidas que vejo as pessoas expressando ou um argumento que vi alguém fazendo a favor do estado e que muita gente achou bom. O que tento fazer é entender a cabeça de quem criou ou gostou daquele argumento, e gravo tentando conversar com ela, como se estivesse atrás da câmera.

Em muitos casos, consigo ter na minha cabeça uma pessoa que conheço que defende ou defenderia aquele argumento. Então, faço o vídeo inteiro pensando que estou falando com o meu amigo X ou conhecido Y. Essa técnica pode ser usada para qualquer tipo de comunicação que não envolve alguém de carne e osso na sua frente.

Inclusive, precisamos conversar com todo mundo, e isso exige que tentemos todas as vias possíveis. Isso não quer dizer que você tem que usar todos os canais. Use o que você quiser, mas sem empinar o nariz para essa ou aquela plataforma e tentar afastar outros libertários delas.

Pessoalmente tenho minhas grandes resistências ao jornalismo tradicional e a grandes mídias, mas se alguém quiser falar com eles, oras, que vá.

Sobre o que devemos falar

Essa é fácil: todos. Por mais que você não goste, se o asunto existe é porque alguém se importa. E temos que falar com essa pessoa, mesmo que seja apenas uma. Novamente, isso não significa que você deve cobrir tudo. Significa que não podemos dizer que esse ou aquele assunto são proibidos, ou que quem aborda isso ou aquilo está traindo o movimento.

Precisamos cobrir todas as mídias, e todos os assuntos, porque somos libertários. Queremos consentimento das pessoas. E, para isso, pode ser preciso um pouco de paciência. Você não precisa convencer todo mundo sobre tudo imediatamente.

Converse. Dialogue. Esteja presente. Essa pessoa lhe terá como referência e poderá lhe procurar para conversar sobre coisas que eventualmente tenha dúvida.

E veja só, é muito fácil ser um comunista, um fascista, um nazista. Você só precisa convencer quem tem as armas a apontá-las para quem discorda de você. Aí é muito fácil, razão, argumentos, compreensão não são necessários, pois a força bruta resolve.

Não tenha preguiça de debater

Democracia é outra forma de “convencimento” extremamente preguiçosa. Você só precisa convencer uma minoria — porque raramente quem vence a eleição realmente é escolhido pela maioria — a votar para você e pronto. Pelos próximos anos você pode usar o poder do estado para mandar neles.

Praticamente ninguém precisa saber o que você realmente pensa, nenhum argumento filosófico é necessário. Visto que, é muito mais fácil atacar o outro do que explicar as suas ideias, combine também uma boa dose de medo e demonização do oponente. Por fim, tenha um orçamento de publicidade e pronto, você conseguirá o que quiser.

Libertarianismo é trabalho duro. É consentimento de todos, e um sistema que não pode ser mantido por iniciação de coerção. Não podemos nos dar ao luxo de não falar com esse ou aquele grupo, ou de abordar esse ou aquele assunto. Se nós, libertários, não o fizermos, quem o fará?

Construindo o movimento

O terceiro passo é construir estruturas nas quais libertários possam interagir em sociedade. Veja só, o caminho para uma sociedade libertária é simples: primeiro seja um libertário, depois atraia mais libertários e finalmente crie uma sociedade libertária. Com essa estrutura de interação, seja mais libertário ainda, atraia mais libertários e repita até onde quiser.

É aqui que muitas pessoas que não entendem o que é libertarianismo se confundem. Muitos acham que é impossível que existam instituições fora do estado; ou que a necessidade de instituições automaticamente significa que elas podem ser agressivas, um salto de lógica injustificável.

Outras ainda acham que o libertarianismo rejeita qualquer tipo de instituição, embora não façam a menor ideia de onde tiraram essa ideia.

Talvez, os mais ambiciosos estejam pensando em tribunais privados, agências de segurança e cidades autônomas, e é verdade que vamos precisar disso. Porém, um mero grupo de pessoas que se reúne todo domingo para ir tomar uma cerveja e falar de liberdade já conta.

Qualquer estrutura, por menor que seja, desde que sirva para divulgar, aprofundar, estudar ou desenvolver ideias de liberdade, é válida. Exemplos: grupos de estudo, canais de discussão pela internet, uma loja ou repositório físico ou digital de livros e artigos libertários, ou mesmo memes.

Além disso, precisamos de estruturas que nos permitam fazer as coisas que desejamos sem a participação de uma organização agressora como o estado. E precisamos começar a fazer isso o quanto antes.

Motivos para estas demandas

O mais óbvio é porque precisamos de escolas livres de intervenção estatal, meios de resolução de disputas, um sistema financeiro melhor e tantas outras coisas para que possamos interagir. E apenas indivíduos que entendem o valor e importância da liberdade podem construir essas instituições sem permitir que agressores, estatais ou não, as infectem.

São os empreendedores da liberdade.

Outra razão é que precisamos dessas estruturas para nos libertar do estado. Elas não apenas são usadas para controlar nossas vidas, nossa educação, nossas finanças e nossa privacidade, mas também para explorar a preguiça das pessoas.

A maior parte dos indivíduos nunca refletiu sobre a natureza parasítica do estado, apenas seguem sua vida tentando fazer o possível com o espaço que possuem. Ao oferecer serviços, disfarçando bem o fato de que são pagos com o dinheiro dos outros; ou inventando alguma desculpa para justificar pilhar os outros, o estado prospera ao implicitamente propor:

Olha, você pode até não gostar de mim, dos políticos e tudo mais, mas eu forneço sua saúde, educação e segurança. Então, é mais fácil não pensar muito sobre isso e seguir seu dia, aceitar o que te dou, pagar seus impostos e obedecer minhas ordens, já que tentar mudar isso tudo vai ser muito difícil. Afinal, você não quer se incomodar muito não é mesmo?

Com um agravante: boa parcela da população desconhece que paga impostos. Para elas, esses serviços são, literalmente, vindos do céu.

A importância de estruturas paralelas ao estado

Ao criar estruturas paralelas ao estado, fornecemos uma rota de fuga para as pessoas que estão dentro do estado pela inércia da vida, pela dificuldade de enfrentamento ou pela conveniência momentânea.

Além disso, fornecemos uma régua, uma comparação pela qual as pessoas podem medir a incompetência do estado. Uma coisa é tentarmos explicar teoricamente por que o estado jamais conseguirá alocar recursos racionalmente, pois alguém sempre pode dispensar argumentos bem construídos com “olha, mas eu acho que não”.

Outra coisa é escancarar de maneira indiscutível que a iniciativa privada é mais competente que o estado em qualquer coisa. E depois explicar que isso se deve ao caráter voluntário das interações nela.

Mas um terceiro e final motivo existe. Pergunto: se você fosse criar toda a estrutura industrial para a produção, venda e distribuição de algo complexo, digamos, navios de carga, como você faria isso? Meu chute é: você não faz a menor ideia.

Pior, muitas pessoas que estão nessa indústria também não fazem ideia de como ela funciona inteira. E se tivessem que a começar do zero, penariam por décadas para chegar a um nível que, comparado ao atual, seria considerado rudimentar e tosco.

As informações presentes nas cadeias produtivas

Isso porque as estruturas de produção hoje estabelecidas contêm uma quantidade absolutamente inimaginável de informação dentro delas. Pense numa simples barra de chocolate com amendoim, vendida em algum mercado qualquer. Quantas empresas passaram pela cadeia de produção dela?

Simplesmente, descrever toda esta cadeia de produção adequadamente levaria anos. De forma que, ao fim do trabalho de descreve-la, boa parte dela já teria mudado.

Nenhuma mente conseguiria criar toda essa complexidade, no nível produtivo atual, do zero. A cadeia de produção de um simples chocolate com amendoim é o resultado do trabalho de milhões de mentes, de milhões de interações, de tentativas e erros.

Em outras palavras, é um enorme acúmulo de informação, a maior parte dela tácita, sobre como fazer isso ou aquilo. Essa informação está contida no posicionamento das fábricas, nas propagandas, na organização dos trabalhadores, na forma como vendedores contatam seus clientes, e muitas coisas mais.

E quando o estado nacionaliza um setor, quando ele impede que o mercado opere na produção de algum bem ou serviço, toda essa informação é destruída ou distorcida. Enormes bibliotecas de conhecimento não escrito evaporam, numa tragédia silenciosa, raramente notada.

A educação sob a mão do estado

Este é um setor pesadamente regulado pelo estado, e embora algum nível de educação seja produzido, estamos a uma distância assustadoramente inconcebível de o que seria produzido com serviços educativos de livre mercado.

Tentar produzir educação hoje buscando atender apenas às demandas dos seus clientes e em total negligência aos mandos estatais é quase como olhar para uma jazida de ferro recém descoberta e tentar descobrir como produzir um navio petroleiro a partir dela.

É verdade que já há empresas inovando em educação, mas a maior parte está na educação superior ou profissional. Em termos de ensino para crianças e adolescentes, temos pouco estabelecido. Uma pequena rede de produção que ainda precisa passar por muito para atingir a mesma eficiência, complexidade e capacidade de atender o consumidor como a indústria de jogos, móveis ou a produção de aço.

Precisamos que libertários criem estruturas, que as criem logo, e que criem muitas delas. Afinal, precisamos recuperar um atraso gigantesco em termos de descobertas empreendedoras nos setores que o estado destruiu informação.

Considerações finais sobre o caminho para a liberdade

É importante ressaltar que criar essas estruturas não significa que todos vocês leitores precisam tentar revolucionar o mercado e descobrir todas as respostas. Ninguém está pedindo que resolvam todos os problemas. Se conseguir, ótimo e obrigado, mas não é esse o ponto.

O ponto é, como abordamos anteriormente, se colocar em um caminho. Começar um pequeno grupo de educação domiciliar é superior a fazer nada. Começar um grupo na sua rua ou bairro para resolver problemas locais sem o estado é melhor que fazer nada.

Por outro lado, até fazer nada é melhor do que ativamente desestimular e desencorajar quem esteja fazendo alguma coisa.

E claro, não existe nenhum motivo para imaginar que isso deveria ser feito de graça. Quem quiser fazê-lo sem cobrança está livre, mas não existe nada repreensível em resolver problemas da sociedade e ganhar dinheiro com isso. De fato, esse é o caminho do enriquecimento da humanidade como um todo.

Uma espécie de vício mental foi injetado nas nossas cabeças por estatistas de variados tipos: “ou você faz algo de bom para as pessoas, ou você ganha dinheiro, mas não há como fazer ambos”. O absurdo dessa proposição é aterrador.

Se você quer criar alguma estrutura que resolva problemas das pessoas, busque transformar isso em uma empresa, em um produto. Assim, você terá os meios financeiros para sustentar essa estrutura no longo prazo.

Além disso, estará exposto aos incentivos de mercado e não às suas opiniões de como as coisas deveriam ser. Opiniões que embora muito belas, muitas vezes podem estar erradas.

Mãos à obra.

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Raphaël Lima

Por:

Fundador e CEO do Ideias Radicais.

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