Amor e otimismo são essenciais para a construção de uma sociedade livre

O movimento libertário tem um problema de atitude. Na prática, muitos de seus integrantes concentram-se apenas nos erros do estado e, assim, fracassam em construir uma sociedade livre por não falarem sobre o amor. Ou seja, não despendem tempo suficiente em despertar nos outros a visão do que uma sociedade livre implicaria.

Quando insistimos sobre os abusos do nosso governo renegado, nós nos conferimos uma imagem de trevas e pessimismo. Isso não quer dizer que não devemos apontar o abuso do estado; ao contrário, é importante destacar os males que os poderosos cometem.

No entanto, reclamar do presidente ou da burocracia não podem ser a nossa única mensagem. Devemos ter uma mensagem positiva para complementar nossas referências.

Sendo otimistas, permitimos que os outros percebam a beleza e graciosidade inerentes à liberdade. Nós seremos muito mais eficazes como movimento se pudermos focar os aspectos positivos da liberdade, porque os seres humanos respondem muito melhor às visões positivas que às negativas.

Por que eu deixei de dizer “Não”

Lembro-me que eu costumava ter um emprego de verão em uma creche. Era professor de cerca de 15 crianças com idades entre seis e oito anos. Sempre que tentava fazê-las pararem de correr na entrada, eu gritava “Não corram!”, mas elas ignoravam a mim e às minhas ordens.

Apenas quando observei outra professora interagir com seus alunos que estavam correndo na entrada, percebi que estava completamente errado no modo de lidar com a situação. Em vez de gritar “não corram” para as crianças mal comportadas, ela calmamente os admoestou dizendo “andem, por favor”. As crianças, imediatamente, desaceleraram para andar.

Cheguei à conclusão de que isso se deve ao fato de essas crianças serem bombardeadas com comandos negativos dos adultos com tanta frequência (“não corra”, “não grite”, “não chore”, etc) que, eventualmente, abstraiam-se deles.

Acho que o mesmo fenômeno está ocorrendo no movimento da liberdade. Ou seja, as pessoas estão tão cansadas da negatividade, que, quando um libertário vem a eles com uma preocupação negativa, não importa o quanto de mérito isso possa ter, elas irão se abstrair.

O poder do amor

Pense em quão revolucionário é ser esperançoso. Vivemos em uma sociedade que está saturada com histórias de assassinato, guerra e injustiça.

Nossa mídia nos oferece o retrato mais cruel da humanidade e constantemente nos bombardeia com imagens de brutalidade e destruição. Nosso sistema bipartidário nos divide profundamente como povo e tenta nos convencer de que o “outro lado” é imbecil, insensível, e do mal.

Todas essas forças nos fazem sentir isolados e sozinhos em nosso mundo violento. Como uma cultura, nós temos aceitado amplamente que a violência, a guerra e o preconceito, são fatores inevitáveis em nossas vidas.

Nós consideramos que somos pequenos demais para mudar o crescente abuso do poder estatal. No entanto, não deveríamos nos angustiar porque há uma força maior do que todo este desespero absoluto.

E esta força é o amor.

Uma sociedade livre só pode existir por meio do amor

O amor é a força mais poderosa do universo. Sua capacidade de unir os outros é incomensurável. Sua capacidade de promover a paz em nossos corações é incalculável. É a única força no mundo forte o suficiente para combater a guerra, a fome e a morte. Sua capacidade de nos fazer sentir empatia pelos nossos companheiros seres humanos, é o que nos faz ansiar por justiça.

Enquanto nossos críticos supõem que nossa aversão à tributação e ao planejamento econômico central nascem de desejos egoístas, para a maioria dos libertários, esta aversão é realmente alimentada pelo amor.

Nós amamos a associação voluntária tanto que respeitamos a riqueza dos indivíduos e não desejaríamos ou esperaríamos ter nada disso distribuído para nós por meio da força de qualquer governo.

Sobre o que o libertarianismo é de fato

Pense um pouco sobre a guerra.

A guerra destrói casas, devasta países inteiros, substitui outrora gloriosas paisagens por crateras causadas por bombardeios; envenena nossa cultura e dá lugar a nacionalismo, xenofobia, racismo e medo.

Tudo isso mata indiscriminadamente, e nos deixa ansiando por aquele célebre ideal conhecido como paz. Em contrapartida, o amor nos dá esperança por meio das mais inimagináveis circunstâncias, e também um motivo para buscar a paz e a justiça.

Entre 10 a 17 milhões de pessoas já foram vítimas da política externa norte-americana desde a Segunda Guerra Mundial. Não são ogros ou “árabes sujos” que teimam em “destruir a América” porque esta oferece uma ilusão de liberdade. Quando observamos todos esses conflitos, adquirimos a capacidade de entender que suas vítimas, as quais o nosso governo decidiu serem indignas de viver, são, na verdade, seres humanos como nós.

Elas têm sonhos, esperanças e desejos. Elas são filhos e filhas; pais e mães. São amadas por outras pessoas e sofrem pelo enriquecimento de uns pouco (Halliburton, Lockheed-Martin, etc). Todas essas pessoas são nossos irmãos e irmãs. Como nós, compartilham o amor com os outros.

Considerações finais

Com tudo isso em mente, nós, como libertários, devemos nos lembrar sobre o que a nossa mensagem realmente é. Não é uma mensagem de elitismo corporativo, preconceito racial, conservadorismo de direita ou de esquerda progressista.

Além disso, o movimento libertário também não é uma entidade negativa paranoica que foca apenas os pontos duvidosos do governo e seus ataques à propriedade privada.

O libertarianismo é uma filosofia otimista e bonita, que assegura os direitos individuais para todas as pessoas. Então, vamos sempre relembrar esta lição à medida que formos avançando em nosso ativismo.

Lembremo-nos que a única maneira de curar esse mundo roto, é reconhecer a incrível força que é o amor e propagar essa força, a fim de fomentar a paz.

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