Afinal, o que significa Direita e Esquerda?

Direita, Esquerda, Centro, Centro-Direita, Centro-Esquerda e outras infinidades de nomes são utilizados hoje no Brasil para designar posições políticas e culturais.

Entretanto, o fato é que, pelos meandros das discussões e conversas, essas palavras parecem ter um conceito muito volátil, sendo diferente para cada indivíduo. O resultado prático é que isso atrapalha o debate público. Quem, por exemplo, nunca discutiu, se deerminado partido é de direita ou de esquerda?

Este texto propõe deixar mais claro esses conceitos.

Jacobinos, Pântano e Girondinos

Esquerda e Direita não são conceitos novos. Surgiram ainda no século XVIII ao longo da Revolução Francesa. Após depor o rei Luís XVI da França, os revolucionários organizaram-se em uma Assembléia Constituinte, na qual existiam três grupos principais: os jacobinos, o pântano e os girondinos.

Os jacobinos eram os mais radicais quanto à revolução: queriam mudar tudo do sistema antigo, e sentavam-se à esquerda. [NE: O Ideias Radicais se chama assim justamente por isso! Não tratemos radicais como algo pejorativo, diferentemente de extremistas].

O pântano, mais neutro, ora apoiava os jacobinos, ora os girondinos, e sentavam-se ao centro. 

Por fim, os girondinos, apesar de quererem mudanças, eram mais moderados e cautelosos, sentando-se à direita.

Sob essa luz, a oposição Esquerda x Direita resume-se ao modo de conduzir as mudanças políticas, algo como Revolucionários e Conservadores. Todavia, esse conceito não é exatamente apropriado, pois os girondinos também poderiam ser considerados em parte como revolucionários.

Esse modo de classificação pode deixar muitas pessoas confusas, uma vez que, na população em geral, o termo conservadorismo possui conotação distinta daquela formulada, por exemplo, por Edmund Burke, o pai do conservadorismo.

Logo, surgem perguntas como: são, então, as Revoluções Burguesas e Socialistas ambas de esquerda? Ou, então, os defensores da monarquia e da democracia ambos de direita?

Ressignificando Direita e Esquerda

Tendo em vista as fraquezas da definição anterior, cria-se a necessidade por uma nova abordagem. O Political Compass (em português, a bússola política) é um modelo e site britânico de mesmo nome.

O site tem um teste com algumas dezenas de questões que permite que, ao final, o avaliado saiba qual sua localização no gráfico político.

Gráfico do Political Compass

As análises e o teste no site baseiam-se num diagrama político a partir do Eixo X (Horizontal) o espectro Esquerda x Direita, já no Eixo Y (Vertical) está o espectro Autoritário x Libertário. Em outras palavras, se distingue na horizontal o nível de intervenção do estado na economia (Esquerda tem mais, Direta, menos), e na vertical o tamanho da intervenção do estado nos costumes.

Naturalmente, na Extrema-Esquerda está o total controle governamental da economia e, na Extrema-Direita, a total liberdade econômica. Por sua vez, no extremo acima está o absoluto controle da cultura da nação e, na extremidade abaixo, o não-controle.

Por conseguinte, um liberal pode ser colocado bem à direita e abaixo no gráfico, um liberário estaria no canto direito embaixo (restrição máxima ao estado), e assim em diante. Um conservador, poderia ser semelhante ao liberal, já o petista estaria à esquerda.

Os benefícios dessa abordagem são muitos, mas o mais importante é que separam-se as posições econômicas das culturais. Isso é extremamente relevante visto que, atualmente, há muita confusão entre ambos. Várias são as pessoas que acreditam que por alguém ser de direita elas são contra a legalização da maconha, ou que alguém é de esquerda e logo é a favor dessa medida. Dessa forma, o debate pode sair do simplismo e, pelo menos, oferecer uma chance de discussão sem que automaticamente as pessoas recorram ao ad hominem.

O que podemos aprender com isso?

As posições políticas são mais uma vítima de uma atividade natural ao ser humano que é a generalização. Na tentativa de compreendermos um mundo tão complexo como o nosso, nosso cérebro tenta a todo custo pegar perguntas difíceis e tenta simplificá-las, processo conhecido como heurística. Por exemplo, “qual a visão política de João?” se transforma em “João é de direita ou de esquerda?”.

Como consequência, diversos grupos extremamente distintos são todos agrupados em um só termo que pode ser facilmente manipulado para se tornar sinônimo de um crime. A direita iguala-se à opressão aos trabalhadores e a esquerda iguala-se a destruidores da família.

Esse fato é explorado com muita sabedoria pelos caciques políticos do Brasil hodierno, criando assim um mundo feito de dualidades e oposições: PT x FHC, PT x PSDB e, agora, PT/PSOL x Bolsonarismo. Assim, o Brasil fica preso nessa dicotomia política da qual parece não conseguir escapar.

Nessa bagunça, a liberdade não sai ilesa e, pelo contrário, encontra um caminho tortuoso para conseguir maior relevância política.

Apesar disso, a mudança de pensamento na última década prova que a visão liberal/libertária tem grandes possibilidades de expansão no Brasil.

Por Alexandre Barsam Junqueira

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Desde 2015 o Ideias Radicais busca difundir o libertarianismo e ajudar a construir uma sociedade livre.

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