Quem foi Adam Smith: o pai da economia moderna

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Quem foi Adam Smith: o pai da economia moderna

Filósofo e economista político, Adam Smith foi um dos principais pensadores da Escócia no século XVIII. Inclusive, seu nome está intimamente associado ao início da história da ciência econômica.

Ele nasceu em Kirkcaldy, Fife, no final da primavera de 1723. Sua data exata de nascimento é desconhecida, mas se sabe que ele foi batizado em 5 de junho daquele mesmo ano.

Aos 15 anos, ele foi enviado para a Universidade de Glasgow, onde estudou filosofia moral com Francis Hutcheson, um dos maiores pensadores da Escócia. Em 1740, ingressou no Balliol College, Oxford.

O interesse de Smith pelo sistema filosófico proposto por seu colega escocês David Hume colidia com os pressupostos epistológicos e metafísicos aristotélicos que dominavam o pensamento de Oxford na época. Por isso, Smith logo decidiu sair da Inglaterra.

Em 1746, ele abandonou sua bolsa de estudos em Oxford e embarcou em uma série de palestras públicas em Edimburgo. A empreitada foi feita sob o patrocínio de Henry Home: o Lord Kames, que era advogado e filósofo.

À época, Kames já era considerado um importante estudioso da história do direito. Contudo, ficou impressionado com Smith e se comprometeu a patrocinar as palestras dele, que foram bem recebidas.

Consequentemente, Adam Smith foi oferecido à cátedra de lógica da Universidade de Glasgow em 1751. Um ano depois, Smith foi nomeado para o cargo anteriormente ocupado por Hutcheson, no qual permaneceu pelos 13 anos seguintes.

A “simpatia” de Adam Smith

Durante seu mandato em Glasgow, Smith publicou seu primeiro trabalho: Teoria dos Sentimentos Morais, que apareceu em 1759.

Na obra, Smith aborda a seguinte pergunta: de onde surge nossa capacidade de condenar certas intenções e ações como imorais e aprovar outras como moralmente dignas?

Esse problema é especialmente incômodo, pois somos capazes de julgar nosso próprio comportamento como moral ou imoral, apesar do fato de estarmos fortemente motivados a agir em nosso próprio interesse.

Assim, Adam Smith sustentou que nossa capacidade de formar julgamentos morais existe em função de possuirmos um senso moral básico. De acordo com ele, esse senso que nos motiva a agir como um espectador imparcial de nossas próprias ações, bem como das de outras pessoas.

Essa bússola moral, que Smith chamou de simpatia e que não é redutível às nossas faculdades racionais, permite-nos ver a nós mesmos como os outros nos veem — ideia chamada de espectador imparcial — e permite-nos viver harmoniosamente com os outros.

Ela serve não apenas para promover nosso próprio bem estar, mas para alinhar nossas ações com uma sociedade de outros indivíduos morais, contribuindo assim para a felicidade da humanidade.

Essa ideia margeia, portanto, sua defesa elaborada na obra A Riqueza das Nações, que trata sobre os benefícios econômicos de indivíduos agindo em interesse próprio.

Adam Smith observa na Teoria dos Sentimentos Morais que mesmo os membros da sociedade que mais lucraram com seu egoísmo agem como se “fossem liderados por uma mão invisível…, sem querer, sem saber, para promover os interesses da sociedade. ”

Vida pós-acadêmica

Smith deixou a Universidade de Glasgow em 1764, aos 41 anos, para assumir o cargo de tutor do jovem Duque de Buccleugh. Ele acompanhou o duque em uma grande turnê pelo continente, que lhe proporcionou a oportunidade de conhecer alguns dos pensadores mais importantes da Europa.

Durante uma estadia de dois meses em Genebra, Adam Smith conversou longamente com Voltaire. Graças em grande parte à amizade com David Hume, que na época era secretário da Embaixada Britânica em Paris, Smith teve acesso aos principais nomes do Iluminismo Francês, como o filósofo Jean-Jacques Rousseau, e os economistas François Quesnay e Anne-Robert-Jacques Turgot.

Além disso, enquanto viajava pela Europa, Smith começou a trabalhar no livro que, por fim, tornou-se sua obra mais importante: A Riqueza das Nações.

Em seu retorno a Londres em outubro de 1766, Smith trabalhou com lorde Charles Townsend, padrasto e guardião do Duque de Buccleugh e futuro chanceler do tesouro. Foi durante esse período que Smith expandiu seu círculo de conhecidos para incluir Edward Gibbon, Edmund Burke e Samuel Johnson e foi eleito para a Royal Society.

Como resultado de seu serviço ao duque, Smith recebeu uma generosa pensão vitalícia de £300 por ano, com a qual, em 1767, se aposentou em sua cidade natal, Kirkcaldy. Lá, Smith passou os seis anos seguintes trabalhando no A Riqueza das Nações.

Em 1773, ele se mudou para Londres, onde completou sua monografia sobre a produção e distribuição de riquezas pela qual ele agora é famoso. No dia 9 de março de 1776, Uma Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações foi publicado em dois volumes.

Embora originalmente o trabalho fosse considerado importante apenas entre um pequeno grupo de leitores, várias décadas após sua publicação, ele se estabeleceu como um clássico de grande importância.

A Riqueza das Nações

Em sua magnum opus, Smith consegue expor a estrutura intelectual da ciência econômica, casando suas discussões teóricas com uma quantidade substancial de dados empíricos.

A análise de Smith sobre os benefícios resultantes da divisão do trabalho, as falácias do mercantilismo e os efeitos destrutivos de quase todas as restrições ao mercado é abrangente. Além disso, esta é acompanhada por uma série de ilustrações que traçam o funcionamento das leis da economia.

De fato, seu comentário é tão extenso, que não surpreende sua obra ser aclamada como um clássico da literatura liberal. No entanto, apesar da reputação que o livro deveria alcançar, não foi o primeiro tratado sobre economia.

O fato é que a maioria das idéias de Smith sobre os mecanismos pelos quais as sociedades produzem e distribuem riqueza foram alcançadas por outros pensadores antes da publicação de A Riqueza das Nações. Entre estes estão Cantillion, Quesnay, Turgot, David Hume e, acima de tudo, seu próprio professor, Francis Hutcheson.

Em grande parte, Smith é tratado como fundador da ciência econômica porque foi capaz de fazer uma ponte entre várias ideias que apareceram antes dele.

Além de afirmar os benefícios de mercados livres e irrestritos, a obra aponta a existência de uma ordem econômica espontânea. Isto é, resulta da ação humana, mas não é produto do design humano.

Na prática, Smith argumentou que a riqueza é produzida e distribuída em virtude do fato de o mercado constituir um mecanismo de autorregulação.

De acordo com Smith, é como se as interações econômicas fossem dirigidas por uma mão invisível, pela qual os homens, buscando seu próprio ganho privado, beneficiassem a sociedade e, assim, promovessem um fim que não fazia parte de sua intenção.

Críticas à Adam Smith

Os estudiosos discutem há muito tempo sobre a aparente inconsistência entre o argumento de Smith quanto à Teoria dos Sentimentos Morais e ao A Riqueza das Nações.

Eles apontam para o fato de que o primeiro é dedicado à discussão da importância de uma sensibilidade moral, cuja inexistência impede que a interação humana pacífica aconteça.

Já no que tange ao segundo , ressaltam que a política econômica mais sensata, aquela com maior probabilidade de produzir riqueza social, é baseada na suposição de que todos agem em seu próprio interesse.

Uma leitura mais cuidadosa dos dois trabalhos, no entanto, indica que não existe contradição real entre eles. O A Riqueza das Nações é amplamente um tratado sobre política econômica e, como tal, tende a discutir a motivação em termos de interesse próprio.

Mas, esse foco no interesse próprio não significa que Smith abandonou a benevolência como força motriz fundamental da ação humana em favor de uma teoria egoísta.

De fato, não há nada contraditório ao afirmar que a simpatia está na raiz do julgamento moral e que os homens são motivados a agir por, entre outras coisas, amor próprio.

Tampouco o amor próprio deve ser confundido com o egoísmo. Afinal, este refere-se a uma consideração pela felicidade pessoal, sem impedimentos a uma preocupação pelo bem estar dos outros. Em suma, a diferença entre as discussões de Smith nos dois trabalhos é apenas de ênfase.

Últimos anos de vida

Logo após a publicação de A Riqueza das Nações, Smith foi homenageado com nomeações a cargos no governo, que lhe renderam £600 adicionais por ano.

Essa renda, somada à sua pensão do Duque de Buccleugh, fez de Smith um homem rico. E, aparentemente, ele desfrutou de sua nova riqueza, visto que não escreveu nada após o lançamento desta obra.

Smith passou seus últimos anos em Edimburgo, com uma aposentadoria tranquila, seguro de sua reputação como uma das principais figuras do Iluminismo Escocês.

Por fim, sua saúde começou a declinar após a morte de sua mãe em 1784, e ele veio a falecer em julho de 1790, vítima de uma doença indeterminada. Adam Smith está enterrado no cemitério de Canongate, em Edimburgo.

Ronald Hamowy (1937-2012) foi um acadêmico canadense e professor emérito de Historia Intelectual da Universidade de Alberta.

Confira os episódios anteriores da Série Pensadores da Liberdade:
– Fréderic Bastiat
– Robert Nozick
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Milton Friedman
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Ludwig von Mises

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Por | 2020-06-16T10:34:40-03:00 16/06/2020|Pensadores da liberdade|Comentários desativados em Quem foi Adam Smith: o pai da economia moderna