A reforma da previdência não resolve o problema

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A reforma da previdência não resolve o problema

Por Matheus Schilling*

A reforma da previdência aprovada pela Câmara dos Deputados e que seguirá para o Senado é um avanço, mas não resolverá o real problema previdenciário do país.

A Instituição Fiscal Independente projeta que o texto base aprovado gerará uma economia de R$ 744 bilhões em 10 anos. Isto é, em uma década o estado brasileiro ficará R$ 744 bilhões menor — e por isso é um avanço.

A previdência é uma espécie de seguro para quem não consegue mais trabalhar em função da idade ou saúde. Porém, em seu atual formato, é um grande esquema de pirâmide. Ao contrário do que muitos pensam, a previdência não é como um FGTS em que os valores das contribuições são depositados em uma conta individual para que ao aposentar se desfrute “dos frutos plantados”.

Quem hoje trabalha e contribui para a previdência acaba financiando os aposentados e pensionistas. Tudo na expectativa de que ao aposentar um trabalhador do futuro pague por sua aposentadoria. 

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Com os avanços da medicina e na qualidade de vida, o sistema previdenciário está fadado ao fracasso e à falência do estado brasileiro. As pessoas, felizmente, estão vivendo mais, mas isso impacta na despesa previdenciária na medida em que elas serão beneficiárias por maior período.

Nesse sentido, com o envelhecimento da população brasileira, o sistema de partilha tende a ficar cada vez mais insustentável, apesar das modificações feitas pela Câmara. Atualmente, a cada 100 trabalhadores ativos, há 21 aposentados. Em 2060, serão aproximadamente 63 aposentados para cada 100 trabalhadores. Na prática, haverá 1,58 pessoas trabalhando para cada aposentado. Em 2018 ela já apresentou um déficit de R$ 195,2 bilhões.

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Essa questão não está aberta a opiniões ideológicas: não importa se você é de esquerda, da direita ou libertário: diante das questões demográficas, o modelo previdenciário é insustentável, não há como negar isso.

A não ser que haja um inesperado e improvável aumento nas taxas de natalidade, o sistema previdenciário público vai quebrar, levando o país junto.

Quanto mais desidratada for a proposta de reforma da previdência, mais cedo o Congresso terá de discutí-la novamente. Porém, a solução definitiva não é fazer a reforma paliativa em um prédio condenado a desabar, mas permitir que indivíduos façam o que bem entenderem com seus rendimentos pensando no futuro.

*Matheus Schilling é coordenador político do Ideias Radicais

Por | 2019-08-08T00:40:09-03:00 08/08/2019|Economia, Libertarianismo|Comentários desativados em A reforma da previdência não resolve o problema