8 setores que Chavez nacionalizou na Venezuela

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8 setores que Chavez nacionalizou na Venezuela

A Venezuela sofreu uma das maiores crises econômicas da história moderna — inflação desenfreada, fome e um fuga de milhões. No entanto, ainda há quem aponte divergências sobre o que a causou. Muitos ainda se recusam a culpar o socialismo, citando o colapso dos preços do petróleo, a corrupção, o abandono da democracia e outros fatores.

Além disso, outros negam até que a Venezuela tenha sido socialista. O filósofo norte-americano Noam Chomsky, que elogiou o ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por reduzir a pobreza, é um deles.

“Nunca descrevi o governo capitalista de Chávez como ‘socialista'”, disse Chomsky a John Stossel após o colapso econômico da Venezuela. “Era bem distante do socialismo. O capitalismo privado permaneceu”, afirmou.

A definição padrão de socialismo é “propriedade governamental dos meios de produção”. Quando o governo toma posse dos meios de produção, isso é chamado de “nacionalização”. Então, quanto mais um governo nacionaliza, mais socialista é.

E Hugo Chávez nacionalizou diversas empresas e setores na Venezuela desde que chegou ao poder em 1999. Um dos slogans dele era: “Tudo o que foi privatizado, será nacionalizado”.

Embora seja sabido que Chávez expandiu o controle estatal sobre as operações de petróleo da Venezuela e apreendeu os ativos de produtores estrangeiros e domésticos, essa não é a única indústria que ele nacionalizou. Esta é uma lista com 8 de setores que ele destruiu no país a partir da estatização e as suas conseqüências para os venezuelanos.

1. Chávez nacionalizou a indústria siderúrgica na Venezuela

Em 2008, Chávez ameaçou desapropriar a Sidor. Era a maior produtora de aço do país, e o comandante alegou que os acionistas exigiam “compensação excessiva” pela nacionalização da empresa, que ele havia feito como parte de um esforço para melhorar os salários e benefícios dos trabalhadores.

No ano seguinte, a Ternium SA, controladora da Sidor, concordou em vender sua participação de 59,7% na empresa para a Venezuela por US$ 1,97 bilhão. Foi o fim da aquisição pelo governo da maior siderúrgica da Venezuela.

Como resultado, a produção de aço da Venezuela atingiu o nível mais baixo de todos os tempos, segundo a Trading Economics. Em novembro de 2019, foram produzidas apenas 1.000 toneladas, ante 479.000 toneladas em março de 2007.

2. Chávez nacionalizou a Agricultura na Venezuela

Em 2009, Chávez nacionalizou empresas de arroz da multinacional Cargill. À época, ele enviou tropas para as fábricas de processamento, que, segundo ele, “estavam cobrando demais”.

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Soldados venezuelanos em frente a uma planta de beneficiamento de arroz

Um ano depois, Chávez anunciou a apreensão de uma empresa de lubrificantes para motores e da Fertinitro, a maior empresa de fertilizantes da Venezuela. A empresa era parcialmente pertencente à Koch Industries, que detinha uma participação de 35% da empresa.

Contudo não eram apenas as empresas que Chávez estava confiscando. No mesmo mês em que desapropriou a Fertinitro, ele anunciou que estava apreendendo 494.000 acres de terra pertencentes à Vestey Foods, uma empresa britânica de carnes, como parte de um “acordo amigável”.

Segundo a Reuters, os meio milhão de acres representam apenas uma fração dos milhões de acres que Chávez apreendeu e redistribuiu como parte de seus planos de redução da pobreza.

3. Chávez nacionalizou o setor bancário na Venezuela

O Banco Federal era o 11º maior banco da Venezuela quando Chávez ordenou sua apreensão em junho de 2010, citando questões de liquidez.

Ele viabilizou a compra por apenas US$ 1,2 bilhão do Banco da Venezuela, e este foi apenas um dos 12 bancos que a Venezuela fechou. Esses “acordos” foram esforços para estatizar o setor financeiro do país.

Além disso, segundo a Bloomberg News, 16 banqueiros foram presos e mais de três dúzias de mandados de prisão foram emitidos após o pânico que se seguiu ao anúncio de Chávez de nacionalizar o setor financeiro.

A projeção da inflação venezuelana em 2019 foi acima dos 200.000%.

4. A estatização da mineração de Ouro na Venezuela

Em outubro de 2009, a mineradora norte-americana Gold Reserve Inc. anunciou que Chávez havia “assumido o controle de sua lucrativa mina de ouro venezuelana, enquanto as autoridades socialistas declaram controlar os recursos minerais do país”.

Por quase duas décadas, a empresa Spokane escavava riquezas da mina de Brisas, que detém cerca de 10,2 milhões de onças em reservas de ouro. O então presidente, porém, rescindiu o contrato e assumiu o controle. (Em 2017, a Venezuela foi condenada a pagar US$ 1 bilhão à Gold Reserve Inc. como parte de um acordo).

Dois anos depois, foram anunciados planos para a nacionalização em larga escala de toda a mineração de ouro.

“Tenho aqui as leis que permitem ao estado explorar o ouro e todas as atividades relacionadas… vamos nacionalizar o ouro e vamos convertê-lo, entre outras coisas, em reservas internacionais porque o ouro continua a aumentar em valor”, Chávez disse à TV estatal.

A CNN relata que atualmente as minas de ouro da Venezuela são governadas por esquadrões da morte trabalhando em conjunto com os militares de Maduro.

5. As telecomunicações também

No início de 2007, logo após vencer o segundo mandato de seis anos como presidente, Chávez anunciou seu plano de nacionalizar a maior empresa de telecomunicações da Venezuela, a CANTV.

“Seja nacionalizado”, disse Chávez sobre o CANTV. “Tudo o que foi privatizado, que seja nacionalizado”.

No mês seguinte, a americana Verizon, que possuía uma participação de 28,5% na CANTV na época, recebeu US $ 572 milhões por sua participação na empresa.

Em 2016, a folha de pagamento dos funcionários da CANTV quadruplicou e os salários aumentaram, informou a Reuters, mas muitas das linhas telefônicas do país não estavam mais operando.

“A empresa está congelada no tempo”, analisou recentemente Jose Maria De Viana, ex-executivo da CANTV.

6. Chávez nacionalizou a eletricidade na Venezuela

Enquanto Chávez anunciava seus planos de nacionalizar as empresas de telecomunicações, ele estava manobrando para assumir a produção da Electricidad de Caracas, o maior produtor privado de energia da Venezuela.

Ele conseguiu seu desejo, quando o CEO da AES Corp, passou sua participação de 82% na empresa por US $ 740 milhões.

Como resultado, desde março de 2019, a Venezuela sofre com apagões recorrentes que deixaram milhões sem energia ou acesso à Internet por semanas seguidas.

7. Nem o turismo escapou!

Em outubro de 2011, Chávez revelou seu plano de transformar Los Roques, um arquipélago no Caribe que era um destino para turistas ricos, em um refúgio para os pobres.

Ele disse que seu governo apreenderia casas de férias e hotéis particulares e os disponibilizaria para outras classes, que poderiam ser transportadas do continente por lanchas e iates apreendidos por banqueiros que fugiram da Venezuela.

“Há algumas casas que foram construídas ilegalmente”, disse Chávez à TV estatal. “Vamos expropriar-los”.

Por isso, hoje Los Rocques não é mais um destino para turistas: é um lugar dominado pelo contrabando de drogas.

8. Chávez nacionalizou o transporte na Venezuela

Em setembro de 2011, Chávez anunciou que havia nacionalizado a Conferry, a maior empresa de transporte comercial da Venezuela.

Tratava-se de uma empresa familiar que operava desde a década de 1950, possuía navios que costumavam ser usados ​​para transportar pessoas do continente venezuelano para a Ilha Margarita, um dos principais destinos turísticos do país.

Segundo a Reuters, Chávez citou supostas questões de desempenho — atrasos e reclamações de clientes — como justificativa para colocar a empresa sob controle estatal.

“Não mais. Isso é um desastre. Vamos nacionalizá-lo ”, disse Chávez em uma ligação com a televisão estatal. “A segurança do nosso pessoal que viaja para Margarita é muito importante.”

Mas, em 2019, a BBC informou que os restos da frota de Conferry agora “definham à mercê da corrosão”.

“Era um porto totalmente operacional, mas agora temos um terminal completo cheio de sucata”, explicou um funcionário da Conferry à BBC News Mundo durante uma visita às instalações.

A via expressa para a servidão

Por fim, as pessoas podem continuar alegando que a situação trágica da Venezuela não tem relação com suas políticas socialistas. Contudo, é inegável que a Venezuela sofreu um dos mais acentuados declínios econômicos da história imediatamente após o início de uma das maiores campanhas de nacionalização de todos os tempos, que foi muito além de suas operações estatais de petróleo.

Ao nacionalizar tudo, Hugo Chávez colocou seu povo no caminho da servidão.

As pessoas não devem apreciar a tragédia da Venezuela, mas devemos aprender com ela. Mas se ignorarmos essa lição, esse é um destino que, em breve, veremos repetido em outras regiões do mundo.

*Jon Miltimore é editor chefe da Foundation For Economic Education

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Por | 2020-05-14T08:44:58-03:00 18/02/2020|Economia|Comentários desativados em 8 setores que Chavez nacionalizou na Venezuela