5 práticas dos governos que atrapalham o combate à pandemia

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5 práticas dos governos que atrapalham o combate à pandemia

Desde os primeiros dias do surto de Coronavírus, socialistas de todo o espectro político foram ao Twitter proclamar que “não há libertários em uma pandemia“. Porém, muitos dos problemas encontrados no campo de batalha são apenas provas de como os governos atrapalham.

À medida que mais evidências acumulam-se nesse sentido, a alegria de quem apontava o aparente fracasso dos mercados está sendo frustrada. Na prática, a intervenção estatal é de fato o principal impedimento ao sucesso.

Porém, pela perspectiva econômica, há diversas práticas dos governos que estão atrapalhando o combate à pandemia. Selecionamos as 5 principais abaixo.

1. Centralização e restrição de testes

A falha mais flagrante do governo tem sido sua abordagem aos testes.

Laboratórios fortemente centralizados (como no Reino Unido), com controle sobre quem tem o direito de testar e o monopólio da infraestrutura de insumos, se juntaram em muitos países para criar um resultado previsível: a falta de equipamentos de teste.

Somente descentralizando a testagem, para permitir que o setor privado faça o seu trabalho e responda à demanda, veremos aumentos do número de testes realizados, fator essencial para o combate à propagação do Coronavírus.

Um exemplo de boas práticas em relação à testagem é a Alemanha por sua descentralização e número aplicado de testes.

2. Barreiras comerciais em produtos médicos

Os governos, especialmente os de países com sistemas de saúde socializados, há muito tempo atrapalham o comércio de produtos médicos.

O Reino Unido, por exemplo, restringiu as exportações de 80 medicamentos durante a pandemia, e outros países instituíram seus próprios modelos de controle comercial.

Neste momento em que a atenção médica precisa ser direcionada aos focos de contágio, a realocação global de medicamentos determinada pelas forças do mercado é fundamental.

Em vez disso, a onda nacionalista e protecionista, que já era forte antes da pandemia começar, mais uma vez triunfou, piorando as coisas para o mundo em geral.

Isso porque as áreas onde a propagação poderia ser contida não estão recebendo os suprimentos dos quais precisam.

3. Regulações que atrasam a inovação

Em todos os países, há alguma agência encarregada de supervisionar os testes e liberações de medicamentos. No Brasil, essa agência é a Anvisa, enquanto nos EUA, é a Food and Drug Administration (FDA).

Essas agências geralmente operam, de certa forma, a partir do “princípio da precaução”, que enfatiza a demora e a coleta de evidências antes que qualquer inovação seja aprovada.

Em tempos normais, garantir que a cura não seja pior do que a doença é um objetivo admirável. Mas, em uma pandemia, essa dinâmica vagarosa pode custar vidas ao atrasar a inovação.

Somente onde essas agências estão saindo do caminho é possível ver um progresso tangível no combate ao Coronavírus e na criação de maneiras para mitigá-lo. Um exemplo são as peças feitas em impressoras 3D para ventiladores.

Contudo, é importante notar que isso não significa abandonar o método científico, mas que devemos abandonar os bastidores burocráticos necessários às provações e experimentações.

4. Sistema de preços distorcido

A proibição do aumento “abusivo” de preços resultou em uma precificação que não é proporcional à demanda, afinal, ao colocar um teto de preço para certas mercadorias, os governos atrapalham gerando escassez.

Assim, em nome de ajudar os pobres, a intervenção estatal bloqueará o acesso a muitos bens, exatamente quando eles forem mais necessários.

5. Mercado de trabalho rígido

Quase todos os países da Europa, mas, especialmente na região mediterrânea, têm leis de proteção ao emprego, que dificultam a demissão e/ou a contratação de funcionários.

Mesmo nos Estados Unidos, o desemprego disparou devido à incerteza e ao fechamento do comércio por determinação do governo: situação exacerbada pelos regulamentos sobre o emprego.

Mas, em uma economia de mercado mais livre, na qual tais restrições não existem, haveria uma realocação muito mais rápida do trabalho, especialmente dentre os menos qualificados (que não têm possibilidade de fazer home office).

Hoje, existe uma grande demanda pela fabricação de produtos médicos, um aumento vertiginoso da demanda por serviços de entrega e uma demanda comparativamente menor por trabalhadores do varejo.

Dessa forma, os mercados de trabalho mais livres possibilitam às pessoas mudarem rapidamente para as indústrias que estão precisando de mão de obra.

Ao invés disso, as leis trabalhistas dos governos atrapalham ainda mais empresas e trabalhadores, que ficam presos em uma teia de papelada e restrições.

A simplificação do processo também ajuda na luta contra o Coronavírus, pois o trabalho é direcionado às indústrias da linha de frente.

O que deve ser feito

Em suma, os governos ao redor do mundo escolheram ignorar os incentivos de mercado e perderam um tempo valioso no combate ao Coronavírus.

Como parte dessa negligência do dever, eles obviamente foram recompensados com mais poder. Afinal, em meio à piora da situação global, eles arrogaram mais responsabilidades para si mesmos.

Felizmente, as dificuldades econômicas que se seguirão ao fim da pandemia, provavelmente, serão reversíveis. Porém, apenas respeitando os princípios básicos da economia de mercado, como o sistema de preços, as verdadeiras soluções poderão funcionar.

Portanto, isso significa reduzir o tamanho do estado intervencionista, assim como, não deixá-lo ter voz e poder em todos os aspectos de nossas vidas.

*Christopher A. Hartwell é professor de economia na Bournemouth University.

Se você quiser entender como poderia ser o modelo de enfrentamento a uma pandemia no anarcocapitalismo, leia este texto de Titus Gebel.

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Por | 2020-05-25T03:16:10-03:00 21/04/2020|Economia, Política|Comentários desativados em 5 práticas dos governos que atrapalham o combate à pandemia