5 motivos para todo vegetariano ser um ferrenho capitalista

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5 motivos para todo vegetariano ser um ferrenho capitalista

“O fim da exploração animal apenas será possível quando o veganismo parar de focar no consumo e se unir a outras lutas sociais”. Para além da alimentação, o movimento vegetariano e vegano é imerso em relações político-ideológicas, especialmente ligadas ao anti-capitalismo.

Aqui estão 5 razões que mostram como essa relação é equivocada, e que todo vegetariano ou vegano deveria ser um ferrenho defensor do capitalismo e do livre mercado.

1. A inovação permitida pelo capitalismo criou a carne de laboratório

Há quem goste de carne, mas se abstém de consumi-la porque se opõe ao sacrifício de animais. Para esses casos, o veganismo é questão de tempo graças ao capitalismo, pois em breve o consumo de carne orgânica não será mais necessário.  

Apresentada ao mundo há seis anos, a carne de laboratório pode chegar às prateleiras dos supermercados a 10 dólares o hambúrguer em 2021.

Sua primeira experiência custou U$ 280.000, mas o capitalismo é uma máquina de diminuir preços e aumentar a qualidade a favor das massas. Em apenas um ano, o preço de produção do quilo caiu 87%, segundo Mercedes Villa, cofundadora da Biotech Foods, em entrevista à Reuters

Esse aumento de produtividade só é possível quando há menos intervencionismo e burocracia sob a cadeia produtiva, o que são características intrínsecas ao livre mercado. 

Além disso, estima-se que 30 mil animais seriam o suficiente para a produção de carne de laboratório suprir a demanda. Em 2018, havia 1,5 bilhões de bois no mundo. Ou seja, isso acarretaria uma drástica redução das emissões de gases de efeito estufa.

Portanto, a partir de inovações presentes e possibilitadas apenas em um sistema capitalista, a carne de laboratório é uma solução tanto à questão ambiental quanto ao sacrifício de animais.

2. Em mercados mais livres há mais oferta de produtos vegetarianos e veganos

Em apenas cinco anos, o público vegetariano no Brasil, segundo o Ibope, subiu de 9% para 14% da população.

Embora já haja iniciativas para agradar o público vegan, como supermercados que criam seções exclusivas de produtos, o mercado brasileiro ainda é limitado.

Enquanto nos Estados Unidos há ao menos 123 marcas certificadas para atender aos 5% da população vegetariana do país, por aqui, há apenas 45 marcas brasileiras reconhecidas pela Sociedade Vegetariana Brasileira.

O difícil acesso a produtos substitutivos à carne, pela falta de oferta e os consequentes preços elevados, faz com que menos pessoas se disponham a modificar seus hábitos alimentares.

Hoje, os Estados Unidos já possuem o maior mercado vegetariano, que movimenta mais US$ 700 milhões ao ano. Mas, ativistas e apoiadores da causa ainda parecem ignorar o porquê disso ser possível.

Ao contrário do Brasil, o ambiente de negócios nos EUA é mais livre, o que facilita aos indivíduos aproveitarem as demandas sociais para ofertar aquilo que as pessoas desejam.

Afinal, quando a demanda é por algo que ainda não existe, o único processo capaz de suprir essa necessidade é o de destruição criativa. Ou melhor: “o fator essencial do capitalismo”, conceito definido pelo economista austríaco Joseph Schumpeter.

Esse processo promove a ascensão de novos produtos, cujo resultado é o desmantelamento de antigos modelos de negócio, que podem ter ligações políticas, a depender do grau de intervencionismo na economia. Infelizmente, o rent-seeking costuma frear essas mudanças.

Por esse motivo, no livro Por que as Nações Fracassam, os autores explicam que a destruição criativa promove uma redistribuição não só da renda e da riqueza, mas também do poder político.

Não é a toa que a maior parte das novidades tecnológicas atuais seja desenvolvida em países onde há um ambiente mais propício ao empreendedorismo.

3. Capitalismo de laços pode criar barreiras de entrada ao mercado vegetariano

O “Capitalismo de laços“, definido por Sérgio Lazzarini, se sustenta por meio de práticas coercitivas que governos eventualmente tomam em benefício de determinados grupos, cerceando as relações de mercado.

Nesse caso, as instituições políticas buscam deliberadamente beneficiar grupos econômicos para adquirir privilégios. É o famoso beneficiar “os amigos do Rei”.

Essa situação não se configura como livre mercado e é muito bem representada, por exemplo, pelo Brasil.

Enquanto os empresários norte-americanos têm um cenário de 12º país mais livre do mundo a ser explorado, de acordo com o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, o Brasil ocupa o 150º lugar, o que o caracteriza como ‘majoritariamente não livre’.

Por aqui, os obstáculos burocráticos são abundantes, caros e é necessário percorrer um longo caminho para iniciar ou expandir um negócio.

Além disso, uma alta carga de regulamentos trabalhistas obsoletos compromete o crescimento do emprego, pois o custo de empregar um trabalhador é elevado.

A soma desses fatores faz com que muitos não queiram investir no país, o que dificulta o processo de destruição criativa. Inclusive, a expansão do mercado vegetariano.

4. Vegetarianos devem ser capitalistas porque direitos de propriedade protegem o meio ambiente

O eco-socialismo é uma ideologia que “expõe a expansão do sistema capitalista como a causa da exclusão social, da pobreza, das guerras e da degradação ambiental por meio da globalização e do imperialismo”.

Os resultados do Índice de Liberdade Econômica do Heritage Foundation, no entanto, mostram que culpar o capitalismo pela degradação do meio ambiente não é razoável.

O gráfico desenvolvido pela Universidade de Yale mostra a estreita relação entre liberdade econômica e a situação do meio ambiente no mundo.

Um exemplo de preservação ambiental promovida por meio da propriedade privada foi a adoção de direitos de pesca ou “IFQs” (cotas individuais de pesca) na Islândia e na Nova Zelândia.

A partir dessa iniciativa, contrária ao que defende o socialismo, problemas como a pesca excessiva, a extinção de espécies e até a poluição foram minimizados.

A tragédia dos comuns é combatida com direitos de propriedade: isso foi demonstrado pelo Nobel de Economia de 1991, Ronald Coase, e pela vencedora do prêmio em 2009, Elinor Ostrom.

Capitalistas que reconhecem a escassez dos recursos naturais e a importância da preservação ambiental, para manter seus negócios por um maior período de tempo, tomam iniciativas para que esse seja o resultado.

Quem busca benefícios imediatos depende de governos e trocas de favores para manterem seus interesses, contrariando, inclusive, as demandas sociais pela natureza.

Isto é, quanto menor o poder de arbitrariedade estatal, menos privilégios os governantes têm para vender. Consequentemente, menos poder ambos possuem sobre os recursos naturais.

No Brasil, não faltam leis para proteção do meio ambiente. Contudo, a ineficiência do governo em garantir os direitos de propriedade privada é a principal causa da degradação dos recursos naturais do país.

O desafio dessa estratégia é desenvolver formas de estender essas instituições de mercado a uma gama mais ampla de recursos ambientais. Assim como, manter grupos em busca de rent-seeking de fora.

5. A Liberdade ajuda mais a inibir o consumo de carne do que o Intervencionismo

No sistema de livre mercado, a demanda por carne incentiva a produção e a oferta deste produto. Assim, enquanto houver quem queira consumir carne, o mercado movimentará a economia de diversos países.

Já no socialismo, há uma única autoridade econômica que detém o poder de determinar todas as questões referentes ao que pode ou não ser produzido. Essa é a essência de uma economia planificada.

E, a suposição de que o governante totalitário dessa sociedade decidiria que o produto ideal é algo que substitua o consumo de carne, se resume ao imaginário.

Em apoio à causa animal ou por questões ambientais, quem é a favor de que cada indivíduo se torne vegetariano, deve dialogar para que exista menos demanda por carne.

Afinal, em aspectos filosóficos, impor uma crença igualitária, muito além de não tornar a diferenciação lucrativa, promove sua repressão, impedindo a descoberta de novas possibilidades.

Inclusive, vislumbrando além da liberdade econômica, todo vegetariano deveria ser também um ferrenho libertário.

Afinal, o libertarianismo defende uma sociedade em que ninguém jamais seria coagido a subsidiar a indústria da carne via impostos.

*Ruth Berbert é jornalista.

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Por | 2020-05-14T09:07:30-03:00 10/02/2020|Libertarianismo|Comentários desativados em 5 motivos para todo vegetariano ser um ferrenho capitalista