5 dicas para seu grupo de estudo captar recursos e conquistar apoiadores

//5 dicas para seu grupo de estudo captar recursos e conquistar apoiadores

5 dicas para seu grupo de estudo captar recursos e conquistar apoiadores

Por Renato Diniz*

Há centenas de grupos de estudos libertários no país, mas há um problema frequente entre eles, e comum entre organizações voluntárias: a falta de orçamento para a realização de projetos em maior escala. Entretanto, essa falta de fundos não deve ser encarada como um problema, mas como uma consequência da falta de planejamento da organização. Isto é, algo que pode ser solucionado.

A arrecadação de recursos deve ser um dos objetivo da organização e uma ação integrada a sua missão, visão e propósito. Muito mais do que somente obter dinheiro para a execução de novas e maiores atividades, o sucesso de um planejamento financeiro mede o grau de inserção do grupo na sociedade: baixa demanda pelos produtos da organização sugere que sua missão e trabalho são pouco conhecidos ou compreendidos.

Dessa forma, preparamos 5 dicas para que seu grupo se torne rentável e, assim, tenha maior capacidade de cumprir seus propósitos, alçando voos cada vez maiores.

1. Crie um sistema para captar recursos

O fundraising, ou captação de recursos, é um importante fundamento de arrecadação por variadas razões. O problema encontra-se muitas vezes na forma como ele é percebido pelo grupo: quando é visto como algo que se faz porque é necessário para a execução de uma atividade específica ou um “mal-necessário”, não fortalece a presença do grupo na comunidade local e nem promove sustentabilidade no médio e longo prazo.

O primeiro passo, portanto, é enxergá-lo como uma atividade integrada, sendo executada de forma cotidiana e não necessariamente atrelada a projetos pontuais.

Uma das grandes barreiras no início da atividade de fundraising por grupos menores é o medo da reprovação, por acreditarem que ninguém estará disposto a realizar uma doação ao grupo. Embora o sistema de incentivos para doações seja diverso, é consenso que uma das barreiras mais simples e contornáveis a obtenção de recursos para grupos voluntários é o simples pedido. Por que as pessoas não doam? porque ninguém pede.

A implicação óbvia desse resultado é que quanto mais oportunidades existirem para as pessoas realizarem uma doação a uma instituição, maiores as chances disso ocorrer. Mas, atenção: isso não significa que os pedidos devam simplesmente serem aumentados em volume.

O primeiro passo é organizar uma plataforma de comunicação dessa oportunidade. Um bom exemplo é do Clube Frei Caneca: eles desenvolveram um Programa de Mantenedores, em que membros do grupo acessam possíveis doadores e oferecem a oportunidade, fornecendo opções nos valores de doação e benefícios exclusivos. 

Programa de mantenedores desenvolvido pelo Clube Frei Caneca em Recife.

Programa de mantenedores desenvolvido pelo Clube Frei Caneca em Recife

Outro ponto importante é que a captação de recursos não precisa ser algo exclusivo do presidente e diretores do grupo: voluntários gozam de uma bem merecida reputação de sucesso na solicitação de doações para causas e organizações. Como o público os considera neutros por não se beneficiarem diretamente e atuarem por exclusiva vontade no grupo, doadores costumam estar ainda mais dispostos a realizar doações se comparados a membros da diretoria do grupo.

Além disso, grupos de estudos buscam formar lideranças e contribuir para a formação de seus integrantes. Com o tempo, seus membros se formam e entram para o mercado de trabalho, conseguindo rendas maiores etc. Tal como universidades americanas costumam fazer ao estimular doações de seus ex-alunos, grupos podem obter parte expressiva de sua renda com doações de seus ex-membros, que já conhecem a história, os valores e propósitos do grupo. Eles provavelmente não doaram nada ao grupo porque ninguém nunca pediu a eles.

2. Ofereça produtos e serviços

Uma visão equivocada de organizações sem fins lucrativos é a de que elas não podem cobrar pelos seus produtos. Ledo engano: grupos podem sim desenvolver atividades capazes de gerar um faturamento interno e cujos valores serão destinados à manutenção e desenvolvimento de novos projetos.

Organizações voluntárias estão se tornando cada vez mais como negócios nos últimos anos. Em um estudo desenvolvido por Massarsky e Beinhacker com 519 organizações, uma em cada quatro já declarava que obtia parte de sua renda por intermédio de serviços, como cursos e workshops em suas respectivas áreas de atuação, e quase metade com venda de produtos. Ainda foi reportado que a oferta de negócios e produtos elevou a visibilidade da organização, acrescentando status e uma melhor compreensão do público sobre a missão da organização.

Um dos melhores exemplos vem do Clube Farroupilha de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Eles organizaram o LeadUp, um fórum destinado ao ensino sobre as principais habilidades para a nova realidade do mercado de trabalho. O evento contou com entradas em diferentes valores, de R$ 30,00 a R$ 100,00, e a finalidade era, claro, trazer renda ao grupo. Os ingressos esgotaram e o evento proporcionou o contato com um novo público ao clube, fortalecendo sua marca e sua missão perante a população de sua cidade.

LeadUp, fórum realizado pelo Clube Farroupilha de Santa Maria

É importante também explicitar que a produção de cursos e workshops não deve se limitar a palestrantes externos: os próprios membros do grupo podem se capacitar e desenvolver seus próprios treinamentos, tornando o grupo capaz de promover eventos com custo mínimo e faturamento máximo.

3. Realize parcerias com o setor privado

Parcerias com instituições privadas permitem a atuação em conjunto de empresas tradicionais com grupos voluntários gerando um benefício mútuo. Para empresas, representa uma oportunidade de se inserir em um novo mercado consumidor, atrair mais clientes e fortalecer a marca.

Para o grupo voluntário, é a oportunidade de obter algum produto ou serviço que seja do próprio interesse a um custo reduzido ou até nulo.

As possibilidades são amplas: desenvolver uma parceria com uma padaria ou casa de doces, por exemplo, para receber um coffee-break de evento a baixo custo/de graça em troca da exposição da marca; auxiliar a inserção de um produto em novo mercado por meio do público que já acompanha as atividades do grupo nas redes sociais ou em eventos presenciais; ou ainda fechar um pacote de treinamentos gratuitos para os membros do grupo com um professor ou palestrante da cidade em troca da participação garantida e exposição do profissional nos próximos eventos do grupo são algumas das dicas e possibilidades.

Ex-integrantes do grupo que decidiram empreender e abriram um negócio podem abrir as portas para parcerias com o grupo também.

4. Um planejamento é necessário

Em geral, não há um planejamento financeiro além do curto prazo para a maioria dos grupos voluntários. Porém, tal como é necessário tempo para montar um plano de negócios de uma empresa, se exige tempo e energia para desenvolver um planejamento financeiro que esteja alinhado com o propósito do grupo, com os interesses dos membros e que renda um faturamento que justifique o investimento de todos estes recursos.

Os questionamentos que devem ser realizados são aqueles que requerem uma análise profunda tanto da missão e visão da organização quanto de suas forças, fraquezas e necessidades. Encontrar respostas para as seguintes perguntas apresentadas pode fornecer um direcionamento inicial sobre qual tipo de rota tomar:

  • Qual o nosso planejamento atual e no que nos beneficiaremos com recursos adicionais?
  • A venda de produtos e/ou serviços é consistente com nossa missão? Nos sentimos confortáveis com a ideia de vender algo?
  • Temos recursos humanos suficientes para delegarmos este tipo de atividade?
  • Como mais faturamento afetará nossa estrutura interna? Precisaremos revisar nosso organograma institucional?
  • Nós já temos algum produto ou serviço a ser ofertado para a sociedade que as pessoas estariam dispostas a pagar?

A partir das respostas, crie um plano de captação e o desenvolva.

5. Empreender é a solução

Um grupo voluntário deve empreender novas formas de gerar renda para atender aos seus objetivos. Há literalmente inúmeras formas de produzir algo que possua valor suficiente para que possa ser comercializado em nossa sociedade.

É preciso interromper a mentalidade de que todas as atividades da organização devem ser disponibilizadas gratuitamente ao público. A ideia de que o faturamento pode ser utilizado para gerar ainda mais melhorias internas é um passo importante no amadurecimento da cultura organizacional, além de ser capaz de abrir portas para as mais diferentes oportunidades. 

Uma vez definida a intenção de gerar algum tipo de capital, o grupo pode começar realizar as sessões de brainstorm necessárias para achar as conexões entre o que ele pode oferecer para a sociedade e o que teria potencial comercial para ela.

Com a seleção das opções de negócio mais promissoras e a manutenção de uma plataforma de fundraising sólida, o grupo se consolidará e poderá crescer de forma sustentável.

* Renato Diniz é Diretor de Treinamentos do Ideias Radicais e ex-coordenador regional do Students for Liberty Brasil

Por | 2019-06-26T13:33:38-03:00 26/06/2019|Empreendedorismo|Comentários desativados em 5 dicas para seu grupo de estudo captar recursos e conquistar apoiadores