5 dicas para seu grupo de estudo captar recursos e conquistar apoiadores

Há centenas de grupos de estudos libertários no país, mas a falta de recursos e apoiadores é uma dificuldade frequente entre eles. Assim, muitos desistem de realizar projetos em maior escala. Entretanto, isto não deve ser encarado como um problema, mas como uma consequência da falta de planejamento. Afinal, existe uma solução.

A arrecadação de recursos deve ser um dos objetivo da organização, como uma ação integrada à sua missão, visão e valores. Muito além do que somente obter dinheiro para novas e maiores atividades. O sucesso de planos financeiros mede o grau de inserção do grupo na sociedade. Afinal, baixa demanda por seus produtos e serviços sugere que o trabalho desempenhado é pouco conhecido.

Dessa forma, preparamos 5 dicas para que seu grupo se torne rentável. E assim, tenha maior capacidade de cumprir seus propósitos, alçando voos cada vez ais altos.

1. Crie um sistema para captar recursos de apoiadores

O fundraising, ou captação de recursos com apoiadores, é um importante fundamento de arrecadação por diferentes razões. Porém, esta costuma ser uma etapa vista de forma negativa pelo grupo.

Por exemplo, quando isto é visto como algo que se faz porque é necessário realizar alguma atividade, têm-se a ideia de “mal-necessário”. Logo, os objetivos paralelos de fortalecimento do grupo na comunidade local e promoção de sua sustentabilidade não são conquistados.

O primeiro passo, portanto, é enxergá-lo como uma atividade integrada. Para tanto, deve ser executado de forma cotidiana e não necessariamente atrelado a projetos pontuais.

Uma das grandes barreiras no início da atividade de fundraising por grupos menores é o medo da reprovação. Afinal, pacredita-se que ninguém estará disposto a realizar uma doação ao grupo.

Embora o sistema de incentivos para doações seja diverso, é consenso que uma das barreiras mais simples e contornáveis é o simples pedido. Isto é, as pessoas não doam, porque ninguém solicita ajuda.

A implicação óbvia desse resultado é que quanto mais oportunidades existirem para as pessoas realizarem uma doação a uma instituição, maiores as chances disso ocorrer. Mas, atenção: isso não significa que os pedidos devam simplesmente aumentar em volume.

O primeiro passo é organizar uma plataforma de comunicação dessa oportunidade. Um bom exemplo é do Clube Frei Caneca e seu Programa de Mantenedores. Por meio deste, membros do grupo acessam possíveis doadores e oferecem a oportunidade, fornecendo opções de valores e seus respectivos benefícios exclusivos. 

Programa de mantenedores desenvolvido pelo Clube Frei Caneca em Recife.

O sistema precisa ser descentralizado

A captação de recursos não precisa ser algo exclusivo do presidente e dos diretores do grupo. Afinal, voluntários podem dispor de uma bem merecida reputação de sucesso quanto à solicitação de doações para causas e organizações.

Inclusive, visto que o público os considera neutros por não se beneficiarem diretamente, doadores costumam estar ainda mais dispostos a realizar doações a estes integrantes.

Além disso, grupos de estudos buscam formar lideranças e contribuir para a formação de seus integrantes. Com o tempo, seus membros se formam e entram para o mercado de trabalho, conseguindo rendas maiores etc.

Tal como universidades americanas costumam fazer ao estimular contribuições de seus ex-alunos, grupos podem obter parte expressiva de sua renda com doações de seus ex-membros. Uma vez que, já conhecem a história, os valores e propósitos do grupo. Provavelmente, eles nunca doaram nada, porque ninguém nunca pediu.

2. Ofereça produtos e serviços

Uma visão equivocada de organizações sem fins lucrativos é a de que elas não podem cobrar pelos seus produtos. Ledo engano: grupos podem sim desenvolver atividades capazes de gerar um faturamento interno, cujo valor será destinado à manutenção e ao desenvolvimento de novos projetos.

Organizações voluntárias têm transformado-se em negócios nos últimos anos. Em um estudo desenvolvido por Massarsky e Beinhacker, com 519 organizações, 25% já declarava que obtia parte de sua renda por intermédio de serviços. Entre eles estavam: cursos e workshops em suas respectivas áreas de atuação, e quase metade com venda de produtos.

Além disso, ainda foi reportado que a oferta de negócios e produtos elevou a visibilidade da organização. Conquistando, assim, status e uma melhor compreensão do público sobre a missão da organização.

Um dos melhores exemplos vem do Clube Farroupilha de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Eles organizaram o LeadUp, um fórum destinado ao ensino sobre as principais habilidades para a nova realidade do mercado de trabalho.

O evento contou com entradas em diferentes valores, de R$ 30 a R$ 100, e a finalidade era, claro, trazer renda ao grupo. Não à toa, os ingressos esgotaram e o evento proporcionou o contato do clube com um novo público. Por fim, suas marca e missão perante a população de sua cidade foram fortalecidas.

É importante também explicitar que a produção de cursos e workshops não deve se limitar a palestrantes externos. Ou seja, os próprios membros do grupo podem se capacitar e desenvolver seus próprios treinamentos, tornando o grupo capaz de promover eventos com custo mínimo.

3. Realize parcerias com o setor privado

Parcerias com instituições privadas permitem a atuação em conjunto de empresas tradicionais com grupos voluntários gerando um benefício mútuo. Para elas, representa uma oportunidade de se inserir em um novo mercado consumidor, atrair mais clientes e fortalecer a sua marca.

Já para o grupo voluntário, é a oportunidade de obter algum produto ou serviço que seja do próprio interesse a um custo reduzido ou até nulo.

As possibilidades são amplas. Desde desenvolver parceria com uma padaria, por exemplo, para receber um coffee-break de evento a baixo custo em troca da exposição da marca. Até a auxiliar na inserção de um produto em novo mercado por meio do público que já acompanha as suas atividades nas redes sociais.

Outra opção é fechar um pacote de treinamentos gratuitos para os membros do grupo com um professor. Em troca, pode-se oferecer: participação garantida e exposição do profissional nos próximos eventos.

Ex-integrantes do grupo que decidiram empreender e abriram um negócio também são parceiros em potencial, que podem auxiliar na captação de recursos como futuros apoiadores.

4. Faça um planejamento

Em geral, não há um planejamento financeiro de médio e longo prazos dentro da maioria dos grupos voluntários. Porém, tal como é necessário tempo para montar um plano de negócios de uma empresa, o planejamento alinahdo aos seus propósitos também requer atenção.

Na prática, a planilha precisa corresponder aos interesses dos membros e garantir uma renda com faturamento que justifique o investimento de todos estes recursos.

Neste processo, os questionamentos essenciais requerem uma análise profunda da missão e da visão organizacional. Assim como, de suas forças, fraquezas e necessidades. Encontrar respostas para as seguintes perguntas apresentadas pode fornecer um direcionamento inicial sobre qual tipo de rota tomar:

  • Qual o nosso planejamento atual e no que nos beneficiaremos com recursos adicionais?
  • A venda de produtos e/ou serviços é consistente com nossa missão?
  • Nos sentimos confortáveis com a ideia de vender algo?
  • Temos recursos humanos suficientes para delegarmos este tipo de atividade?
  • Como mais faturamento afetará nossa estrutura interna?
  • Precisaremos revisar nosso organograma institucional?
  • Nós já temos algum produto ou serviço a ser ofertado para a sociedade que as pessoas estariam dispostas a pagar?

A partir das respostas, crie e desenvolva um plano de captação de recursos e apoiadores.

5. Por fim, empreenda!

Um grupo voluntário deve empreender, para obter novas formas de gerar renda, para atender aos seus objetivos. Há, literalmente, inúmeras caminhos de se produzir algo que possua valor suficiente para comercialização em nossa sociedade.

Contudo, é preciso primeiro interromper a mentalidade de que todas as atividades da organização devem ser disponibilizadas gratuitamente ao público. Inclusive, a ideia de que o faturamento pode ser utilizado para fomentar melhorias internas é um passo importante no amadurecimento da cultura organizacional. Além de abrir portas às mais diversas oportunidades. 

Uma vez definida a intenção de gerar algum tipo de capital, o grupo pode incluir em sua rotina realizar sessões de brainstorm. Por meio destas, é possível encontrar conexões entre o que o grupo pode oferecer à sociedade e o que teria potencial comercial para ela.

Em suma, com a seleção das opções de negócio mais promissoras e a manutenção de uma plataforma de fundraising sólida, a organização se consolidará. Logo, com mais recursos e apoiadores, poderá crescer de forma sustentável.

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Renato Diniz

Por:

Analista de Lideranças no Ideias Radicais.

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