5 benefícios da privatização da BR Distribuidora

Sem muita festa e manchetes, a BR Distribuidora foi vendida por R$ 9,6 bilhões, e os benefícios disso serão sentidos pelos brasileiros por muito tempo. Uma estatal a menos no Brasil, país recordista em empresas públicas: um total de 418.

Apesar de a privatização não ter sido completa – a Petrobras tinha 71,25% das ações e agora detém apenas 37,5% -, isto é o suficiente para perder o controle da empresa. Afinal, acionistas privados, agora, podem nomear administradores.

Embora seja lucrativo, o principal benefício da privatização não é ganhar dinheiro. Na prática, colocar a empresa solidamente dentro das regras de mercado é muito mais vantajoso a longo prazo. A partir disso, a BR distribuirdora precisará ser eficiente, inclusive, reduzindo o seu risco de corrupção. Caso contrário, ela irá a falência.

Dito isso, listei 5 benefícios da privatização (ou o eufemismo covarde de “desinvestimento” utilizado pelo Governo Bolsonaro).

1) Dinheiro em caixa

R$ 9,6 bilhões é o valor de imposto que os brasileiros não precisarão pagar. Apesar de Paulo Guedes ter afirmado que zeraria o déficit nas contas públicas em 2019, o rombo projetado para este ano é de cerca de R$100 bilhões.

Isso significa que, para manter a administração pública funcionando será preciso pegar dinheiro emprestado. Isto é, não ter que pegar R$ 9,6 bilhões em empréstimo significa não ter de pagar os 5,4% de juros anuais. Ou 7,2% no título de dez anos.

Isso resulta numa economia extra anual em juros de entre R$518 e R$691 milhões. Em 10 anos, o valor total é de R$ 9,6 bilhões em imposto extra que você não precisará pagar. Além de outros R$ 5 ou R$ 7 bilhões em juros que não terão que ser pagos, o que resultaria na necessidade de novos empréstimos.

Consequentemente, este dinheiro que o governo não tomou emprestado ficará no setor privado, onde é realmente produtivo, abaixando juros, viabilizando investimentos e gerando emprego.

2) Queda nos preços dos combustíveis

O preço de combustíveis, dos qual 55% é de imposto, afeta praticamente tudo em uma economia. Portanto, diminuí-lo reduz o custo Brasil, isto é, o custo de se produzir por aqui.

A BR Distribuidora é a dona dos postos de gasolina da Petrobrás. Em 2018, ela comandava 24% da distribuição de gasolina e 31% da distribuição de diesel no país. Além disso, é proprietária de 17,8% dos mais de 40 mil postos de combustíveis espalhados pelo Brasil. Portanto, qualquer pequena melhora na administração dessa empresa será sentida nos nossos bolsos.

Em 2017, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio da gasolina foi de R$ 3,767 e o do diesel de R$ 3,112. Na época, a BR Distribuidora vendeu 10,7 e 17 milhões de m³ dos respectivos combustíveis.

Isso significa que brasileiros gastaram R$ 40,3 bilhões em gasolina e R$ 52,9 bilhões em diesel distribuídos pela empresa em 2017. Ou seja, cada 1% de queda no preço, devido à melhoria de administração da empresa, representaria cerca de R$ 932 milhões de economia.

Além disso, um corte de preços de uma empresa grande pode ajudar a diminuir os valores cobrados por seus concorrentes no mercado. Combustíveis são um produto sem diferenciação, isto é, não vale muito a pena pagar 10 centavos a mais pelo litro. Portanto, os concorrentes precisam acompanhar a queda de preços ou arriscam perder fatia de mercado.

Se houver uma queda geral de preços em 1%, isso significaria uma economia de R$ 3,3 bilhões por ano apenas em diesel e gasolina.

Como tal aumento de eficiência poderia acontecer? Uma vez que, a BR distribuidora não é mais estatal, não precisa mais passar pelas burocracias inerentes ao estado.

3) Ganhos no agronegócio

Caminhões, tratores, colheitadeiras e geradores de energia rodam com diesel. Menores custos de combustível significam menores custos de produção. Isso, por sua vez, significa maiores lucros no campo.

Na prática, o setor possui uma competição brutal e pequenas margens de lucro. Portanto, qualquer vantagem dentre os custos de produção no Brasil pode significar avanços em fatias de mercados consumidores mundiais. Além, claro, de comida mais barata na mesa dos brasileiros.

Soma-se a isso o fato de que, maior produtividade significa mais dinheiro livre para investimento em produtividade. Consequentemente, há redução significativa dos preços de alimentos e maior produtividade das terras. Logo, tudo aquilo que pode ser extraído delas sofre valorização.

Em suma, para os donos de terras – grandes ou pequenos – isso significa mais dinheiro no bolso em termos de patrimônio, o que também lhes dá maior colateral em propriedade para obter crédito

4) Coisas mais baratas na sua mesa

Em regiões mais afastadas dos produtores, a alimentação é obviamente mais cara em virtude dos custos de logística. Dessa forma, combustível mais barato significa que tudo no país será mais barato.

Porém, os benefícios serão ainda maiores no Centro-Oeste e no Norte, onde encontramos grandes níveis de pobreza.

Alimentos, remédios, equipamentos industriais, materiais de construção, tudo isso precisa ser transportado dos centros de produção aos consumidores. Assim, qualquer pequena economia em uma fase da cadeia produtiva fará muita diferença para essas regiões.

5) Setor aéreo

A BR Distribuidora comanda 55% da distribuição de querosene de aviação e um terço do valor das passagens aéreas se dão por causa do combustível. Assim, pode haver algum ganho em um mercado delicado, em que Latam e Gol somadas já emplacaram R$1,5 bilhões em prejuízos. 

Como empresas que não dão lucro eventualmente vão à falência, destruindo empregos e concentrando o mercado, isso resultaria em aumento do preço das passagens. Assim, qualquer alívio no custo de operação é extremamente bem-vindo.

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Raphaël Lima

Por:

Fundador e CEO do Ideias Radicais.

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