5 benefícios da privatização da BR Distribuidora

//5 benefícios da privatização da BR Distribuidora

5 benefícios da privatização da BR Distribuidora

*Por Raphaël Lima

Sem muita festa e manchetes, a BR Distribuidora foi vendida por R$ 9,6 bilhões, e os benefícios disso serão sentidos pelos brasileiros por ainda muito tempo. Uma estatal a menos no Brasil, país recordista em empresas públicas com outras 418 ao todo.

Antes de tudo, preciso lhe dar uma má notícia: a privatização não é completa: a Petrobras tinha 71,25% das ações da subsidiária, e agora detém apenas 37,5%. É o suficiente para perder o controle da empresa, mas continua sendo o maior acionista sentando na mesa de negociações. Além disso, uma reestatização é possível via recompra de ações. 

Era preferível vender todas as ações de uma vez só, mas o fato é que agora há a possibilidade de que acionistas privados nomeiem os administradores da empresa, e esse é o grande objetivo de privatizações.

Embora lucrativo, o principal benefício da privatização não é ganhar dinheiro, mas colocar a empresa solidamente dentro das regras de mercado, sendo obrigada a ser eficiente e reduzindo o risco de corrupção dentro dela. Caso contrário, ela irá a falência.

Estatais possuem vários incentivos perversos: quando uma empresa está nas mãos do estado, não importa se ela for pouco lucrativa, haver cargos de aliados e familiares para todos os cantos, qualidade da prestação ruim, ou mesmo falir. Independentemente de tudo, o pagador de impostos será obrigado a cobrir eventuais rombos e suportar serviços ou bens ruins e caros.

Políticos podem ainda restringir a concorrência privada com estatais, seja por monopólio legal, seja pela criação de dificuldades para o setor privado ao criar privilégios legais para a estatal ou obrigando-as a seguirem padrões ineficientes. Dito isso, listei 5 benefícios da privatização (ou o eufemismo covarde de “desinvestimento” utilizado pelo Governo Bolsonaro).

1) Dinheiro em caixa

R$ 9,6 bilhões é o valor de imposto que os brasileiros não precisarão pagar. Apesar do discurso de campanha do Ministro da Economia Paulo Guedes de que zeraria o déficit nas contas públicas em 2019, o rombo nas contas públicas projetado para este ano é de cerca de R$ 100 bilhões.

Isso significa que para manter a administração pública funcionando é preciso pegar dinheiro emprestado. Não ter que pegar R$ 9,6 bilhões em empréstimo significa não ter de pagar os 5,4% de juros anuais que o governo federal paga no seu título de um ano, ou 7,2% no título de dez anos. Isso resulta numa economia extra anual em juros de entre R$ 518 e R$ 691 milhões. Em dez anos, o valor total é de R$ 9,6 bilhões em imposto extra que você não precisará pagar e entre R$ 5 a R$ 7 bilhões em juros que não terão que ser pagos, o que resultaria na necessidade de novos empréstimos.

Finalmente, isso significa que esse dinheiro que o governo não tomou emprestado ficará no setor privado, onde é realmente produtivo, abaixando juros, viabilizando investimentos e gerando emprego.

2) Queda nos preços dos combustíveis

O preço de combustíveis afeta praticamente tudo em uma economia, diminuí-lo reduz o custo Brasil, isto é, o custo de se produzir por aqui.  Também não ajuda que cerca de 55% do valor dos combustíveis por aqui são impostos.

A BR Distribuidora é a dona dos postos de gasolina da Petrobrás, e em 2018 comandava 24% de toda a distribuição de gasolina e 31% da distribuição de diesel no país. Além disso, é proprietária de 17,8% dos mais de 40 mil postos de combustíveis no país. Qualquer pequena melhora na administração dessa empresa será sentida nos nossos bolsos.

Analisando o impacto disso no bolso dos brasileiros: segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em 2017 o preço médio da gasolina foi de R$ 3,767 e o do diesel de R$ 3,112. Naquele esse ano a BR Distribuidora vendeu 10,7 milhões de m³ de gasolina e 17 milhões de m³ de diesel.

Isso significa que brasileiros gastaram R$ 40,3 bilhões em gasolina e R$ 52,9 bilhões em diesel distribuídos pela empresa no ano de 2017. Por sua vez, isso significa que cada 1% de queda no preço causado por melhoria de administração da empresa teria economizado para os brasileiros cerca de R$ 932 milhões naquele ano.

Além disso, um corte de preços de uma empresa grande pode ajudar a diminuir os valores cobrados por seus concorrentes no mercado. Combustíveis são um produto sem diferenciação. Cervejas, roupas, vegetais ou carros, por exemplo, possuem suas características próprias, mas não existe muito motivo para você consumidor pagar 10 centavos a mais na gasolina em um lugar se o outro posto vende mais barato. Caso uma distribuidora abaixe seus preços, os seus concorrentes precisam acompanhar ou arriscam perder fatia de mercado.

O resultado disso? Se uma queda preços de 1% da BR Distribuidora forçar seus concorrentes a acompanhar o desconto, isso significaria uma economia de R$ 3,3 bilhões por ano apenas em diesel e gasolina.

Não temos como saber o quão mais eficiente a empresa ficará, nem exatamente quanto o preço irá cair, mas uma queda gerará economias de centenas de milhões de reais por ano. Se for possível uma diminuição de de 3% no preço de gasolina e do diesel, haverá R$ 10 bilhões em economia, valor superior ao obtido pela venda de ações da BR Distribuidora pelo governo.

Como tal aumento de eficiência poderia acontecer? Um exemplo simples: por ser uma estatal, precisava passar por processos de licitação e outras burocracias normais ao estado. Sendo privada, está dispensada dessa papelada e do tempo e recursos perdidos com isso.

3) Ganhos no agronegócio

Caminhões, tratores, colheitadeiras e geradores de energia rodam com diesel. Menores custos de combustível significam menores custos de produção, o que por sua vez significa maiores lucros no campo. O setor possui uma competição brutal e pequenas margens de lucro. Qualquer vantagem nos custos de produção no Brasil podem significar avanços em fatias de mercados consumidores mundiais, além de comida mais barata na sua mesa.

Além disso, maior produtividade significa mais dinheiro livre para investimento em produtividade, o que por sua vez reduz ainda mais os preços de alimentos e torna terras mais eficientes, aumentando a produtividade que pode ser extraída delas e, por sua vez, aumenta seu valor. Para os donos de terras – grandes ou pequenos – isso significa mais dinheiro no bolso em termos de patrimônio, o que também lhes dá maior colateral em propriedade para obter crédito. 

4) Coisas mais baratas na sua mesa

Nas regiões mais afastadas dos produtores a alimentação é obviamente mais cara em virtude dos custos de logística. Combustível mais barato significa que tudo no país será mais barato, mas o Centro-Oeste e ainda mais o Norte, onde encontramos grandes níveis de pobreza, serão muito mais beneficiados. 

Alimentos, remédios, equipamentos industriais, materiais de construção, tudo isso precisa ser levado dos centros de produção para os cantos mais distantes do país, tornando-os menos produtivos e mais pobres. Qualquer pequena economia em uma fase da cadeia de produção fará muita diferença para essas regiões.

5) Setor aéreo

A BR Distribuidora comanda 55% da distribuição de querosene de aviação. Um terço do valor das passagens aéreas se dão por causa do combustível. Assim, pode haver algum ganho em um mercado delicado, em que Latam e Gol somadas emplacaram R$ 1,5 bilhões em prejuízos. 

Como empresas que não dão lucro eventualmente vão à falência, destruindo empregos e concentrando o mercado, isso resultaria em aumento do preço das passagens. Assim, qualquer alívio no custo de operação é extremamente bem-vindo.

*Raphaël Lima é criador do Ideias Radicais

Por | 2019-07-25T11:23:04-03:00 25/07/2019|Economia|Comentários desativados em 5 benefícios da privatização da BR Distribuidora