14 dicas para comunicar as ideias da liberdade

Esta é uma pequena lista de coisas que vejo como eficazes ou contraproducentes que, ao meu ver, libertários deveriam seguir para comunicar melhor suas ideias. Afinal, comunicar bem é vender uma ideia, e nós estamos buscando vender liberdade.

A lista não é extensa, nem deve ser levada como uma acusação a todos que integram o movimento e não as seguem. De fato, ela se parece mais como uma relação de enganos que cometi ao longo de minha trajetória, e estratégias eficientes que observei sendo empregadas por outros. Elas podem ser úteis para algumas pessoas, sobretudo nos primeiros contatos com alguém com pensamento diferente, e por isso as escrevo aqui.

1. Não fale de libertarianismo quando o assunto for política pública

Não faça referências à filosofia libertária quando estiver falando sobre políticas públicas com um público genérico, a não ser que seja absolutamente necessário.

2. Se aproxime do seu interlocutor

Utilize recursos baseados em valores comuns entre você e quem estiver lhe ouvindo. Você pode, por exemplo, buscar pontos de convergência e focar neles primeiro.

3. Tenha boa vontade ao falar sobre ideias da liberdade

Você não precisa debater, mas caso se proponha, o faça com boa vontade.

Presuma que o outro lado acredita no que está afirmando, e realmente deseja o melhor para a sociedade. Parta dessas premissas. Conceda às pessoas o benefício da dúvida: atacar as intenções de alguém é uma boa forma de irritá-lo e afastá-lo, mas não de convencê-los de algo.

4. Tenha paciência

Não espere converter alguém a uma ideologia ou visão de mundo diferente no decorrer de uma conversa. Isso nunca acontece: converse sobre questões específicas, e sobre porque a defesa de mais liberdade, ao invés de menos, é a melhor solução para aquele problema. Não bastam apenas jargões: quão mais dados, evidências e informações você tiver, melhor.

5. Conheça seu público-alvo

Saiba quem é o seu público. Por exemplo: você está tentando convencer a pessoa com quem está debatendo, ou está tentando convencer terceiros que estão prestando atenção na conversa?

6. Tenha sempre seu objetivo em mente

Saiba o ponto que quer chegar, e pense de maneira realista sobre como você pode alcançar isso.

7. Se aproxime do público falando com o que ele se importa

Fale sobre coisas com as quais o público se importa e mantenha uma linguagem com a qual eles possam se identificar. Se você está tentando convencer pessoas a se preocuparem com alguma coisa com a qual elas não se importam, justifique relacionando-a a valores com os quais eles se importam, conforme apontado no segundo tópico.

8. Adapte sua mensagem de acordo com o público

Não seja condescendente e não tente agradar. Adapte sua mensagem de acordo com o público ao qual está se dirigindo, mas trate-os como adultos racionais e responsáveis. Seja honesto e veemente. Pessoas que possam estar inclinadas a discordar de você irão ao menos respeitar sua sinceridade e honestidade intelectual.

9. As ideias da Liberdade são as melhores para todos

Quando estiver dirigindo-se a grupos específicos, esteja ciente das questões que podem ser mais relevantes para eles (vide o item 7), mas argumente por que o ponto “X” é bom para todos, e não apenas “como parte do grupo tal…”, algo que seria de interesse apenas a eles.

10. Torne o debate pessoal

Torne a questão pessoal: ajude as pessoas a se identificarem com a sua posição ou com seu descontentamento em um nível humano porque isso transmite empatia.

11. Evite vitimização ao expor ideias da liberdade

Não apele para a auto-piedade ou vitimização ao retratar libertários como vítimas de perseguição porque não é atrativo, não é convincente e, muita vezes, simplesmente não é verdade.

12. Não culpe terceiros

Não culpe alguma nefasta força externa se nós perdermos o debate — como entidades estrangeiras, “a mídia esquerdista”, etc. Algumas vezes nós perdemos apenas porque não estamos sendo convincentes o suficiente e precisamos melhorar.

13. Simplifique a mensagem das ideias da liberdade

Simplificar a mensagem é importante para o convencimento. Portanto, não utilize axiomas para cortar caminho por meio de questões complexas em direção a uma conclusão pré-determinada.

Sendo mais direto: a Ética Argumentativa Hoppeana é incrível, mas se você tiver apenas poucos segundos para conversar com um indivíduo ou uma plateia, ninguém a entenderá.

Quão mais longe seu público mediano for do libertarianismo, mais necessário será simplificar a mensagem. Nesse sentido, evidências empíricas, dados, assim como casos em pequena escala, fazem a diferença. Utilize-os para orientar a  aplicação dos princípios libertários em questões específicas. Por exemplo, como disse Trevor Burrus, “faça o download de um facão, e arme-se de um bisturi”.

14. Tenha senso de humor

Tenha senso de humor e tente não levar para o lado pessoal as opiniões discrepantes. Se a pessoa com a qual você está debatendo está te deixando estressado, você perderá a chance de conectar-se tanto com ela quanto com o público. Afinal, se não estiver com paciência naquele momento para conversar sobre ideias, é melhor não o fazer do que vender mal suas ideias.

Portanto, algumas pessoas resumem essas 14 dicas em: “ter bom senso”, e eu concordo. Bom senso é o nome que damos às coisas que são óbvias, porém difíceis.

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Por:

Head de Conteúdo do Ideias Radicais, além de atuar no mercado financeiro na Apex Partners e assinar na Folha Vitória uma coluna diária com cenários da política e economia brasileira.

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